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15 de Abril de 2018 as 08:30

Municípios alagoanos têm 5% de telefones públicos disponíveis

Feliz Deserto e Jundiá têm apenas um orelhão funcionando; segundo a Anatel, alcance deveria ser de no mínimo 90%

De acordo com dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), os municípios alagoanos de Feliz Deserto e Jundiá têm apenas um telefone público. Em Feliz Deserto são 17 instalados, já em Jundiá são 18, mas apenas um em cada cidade funciona. O que representa 5% de disponibilidade. O restante, em manutenção, segue sem atender à população.

Outras cidades com baixíssima cobertura são Quebrangulo (9%) com 44 orelhões, sendo que apenas quatro estão em funcionamento. E Teotônio Vilela (17%) com 169 orelhões instalados e só 30 disponíveis.

A média de cobertura em todo o estado é de 71%, quando o ideal seria de no mínimo 90%. Em Maceió, a cobertura é de 69%. De 3.830 instalados, 2.671 estão funcionando e 1.159 encontram-se em manutenção.

A cidade de Palestina, segundo a Anatel, tem disponibilidade total dos orelhões (100%). Em seguida vêm os municípios de Barra de São Miguel (97%), com 44 orelhões instalados e 43 funcionando; Coqueiro Seco (96%) com 28 instalados e 27 disponíveis.

Por conta da indisponibilidade de orelhões da prestadora Oi em todo o Brasil, Alagoas está entre os 12 estados onde os telefones públicos, os chamados orelhões, terão ligações liberadas para telefones fixos e celulares de todo o país.

A liberação das ligações faz parte de uma punição da Anatel à prestadora Oi, que desde 2015 vem descumprindo o percentual de disponibilidade de orelhões. A última avaliação, feita no fim de fevereiro, constatou o novo descumprimento e gerou a imposição de gratuidade.

As regiões Norte e Nordeste serão beneficiadas com a punição nos estados Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Roraima.

Nos próximos seis meses, até 30 de setembro, a Oi será obrigada a disponibilizar as ligações de forma gratuita. Uma nova aferição será feita no fim de agosto para constatar se a empresa de telefonia está cumprindo com a regulamentação. Caso ainda haja problemas com a disponibilidade, um novo período de gratuidade será estabelecido, entre 1º de outubro de 2018 e 31 de março de 2019.

“Onde eu moro só funcionam dois, o resto tiraram”, diz dona de casa
 

Na capital, a gratuidade é vista por muitos com desconfiança. O problema apontado é a falta de orelhões, fato este que gerou a punição. Além disso, os poucos que restam muitas vezes não funcionam ou foram depredados.

A reportagem da Tribuna Independente foi às ruas para saber a utilidade da punição. A dona de casa Luiza Valéria, de 32 anos, afirma que a medida não deve ser muito aproveitada. Pelo menos, não por ela, já que considera o orelhão “pouco prático”.

“Para mim não é muito prático não porque eu só uso telefone celular. Se for pra usar orelhão eu vou ter que me deslocar da minha casa ou procurar algum no caminho que esteja funcionando. Não é prático não. Onde eu moro só funcionam dois, o restante tiraram”, diz.

Mesmo assim Luiza reclama da quantidade de orelhões: têm diminuído cada vez mais, reclama.

“Eu nem uso orelhão na verdade. Mas vejo muito pouco. Moro aqui na região e tinham muitos orelhões por aqui, mas eles foram tirados, muitos foram quebrados. Aí acho que eles iam tirando e não colocavam outros no lugar”, comenta.

Para o sapateiro, Geraldo Júnior de 28 anos a imposição era desconhecida. “Não estava sabendo. Trabalho nessa praça há cerca de 10 meses e vejo poucas pessoas utilizando o orelhão. Eu mesmo nunca usei. Nem estava sabendo de que podia ligar. Mesmo podendo, acho que não vou usar não, para mim não faz diferença [risos]”, fala.