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13 de Jun de 2018 as 19:30

Governo suspende abertura de novas escolas de medicina

"O que vimos nos últimos quinze anos tem servido somente para atender interesses políticos e econômicos e pouco tem contribuído para melhorar a Saúde no Brasil. A maioria das novas escolas não tem conseguido garantir uma formação adequada aos estudantes de medicina devido a inúmeros problemas e deficiências que apresentam" declara Lincoln Ferreira, presidente da AMB.


Projetando-se os formados em medicina, daqui a 10 anos, em 30 anos serão mais de um milhão de médicos no país, quantidade maior que a soma de médicos no restante do mundo. No Brasil, existem atualmente 302 escolas de medicina. Entre 2003 e 2018, foram criadas 178 escolas médicas. Um número surreal, se comparado com países como a China, onde existem 150 faculdades para 1,3 bilhão de pessoas, ou quando olhamos para os Estados Unidos, que tem 131 cursos para 300 milhões de habitantes e as escolas mais respeitadas do mundo.


Duas Portarias, assinadas dia 05/04 em Brasília, atendem às reivindicações da Associação Médica Brasileira (AMB), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e de outras entidades médicas, a moratória por cinco anos na criação de novas faculdades de medicina, e a criação de grupo de trabalho para a reorganização da formação médica.


A verdade nua e crua é que o ensino virou um balcão de negócios com o aval dos governos que administraram o Brasil nos últimos 20 anos, e a qualidade ficou em segundo lugar. Sessenta por cento são escolas particulares e cobram entre R$ 5 mil e R$ 15 mil mensais por aluno.A qualidade dos profissionais que a maioria das novas escolas está diplomando, coloca em risco a saúde da população e sobrecarrega ainda mais o sistema de saúde. Dos 2.636 médicos que participaram da prova do Conselho Regional de Medicina de São Paulo de 2017, mais de 35% acertaram menos de 60% das 120 questões da prova, porcentagem considerada mínima para a aprovação. O quadro fica pior quando se descobre que 88% dos recém-formados não souberam interpretar o resultado de uma mamografia, 78% erraram o diagnóstico de diabetes, 60% demonstraram pouco conhecimento sobre doenças parasitárias e 40% não souberam elaborar a suspeita de um caso de apendicite aguda.

"Honra o médico por causa da necessidade, pois foi o Altíssimo quem o criou; a ciência do médico o eleva em honra; ele é admirado na presença dos grandes. Em seguida dá lugar ao médico, pois ele foi criado por Deus; que ele não te deixe, pois sua arte te é necessária. (Eclesiástico 38)"