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11 de Jul de 2018 as 20:30

Clubes brasileiros podem ter se tornado vítimas de golpe com criptomoedas

 

Os clubes de futebol Corinthians e Atlético Paranaense podem ser vítimas de um golpe envolvendo criptomoedas falsas, afirma o Guia do Bitcoin. De acordo com o site, o golpe é bizarro, se valendo de "audácia e amadorismo por detrás das ações aliados à ingenuidade e irresponsabilidade das vítimas".

Sexta-feira passada (29), o Atlético Paranaense anunciou uma parceria com a empresa Inoovi, supostamente sediada em Hong Kong, na China. Em comunicado para a imprensa, a Inoovi "auxilia empresas ou indivíduos em todo o mundo a criar seu próprio dinheiro virtual". Além disso, a empresa chinesa possui uma criptomoeda chamada "IVI", desenvolvida exclusivamente para o mundo esportivo — e, no final das contas, a ideia é que essa criptomoeda possa ser usada para pagar até o salário de jogadores. Segundo a Inoovi, o Corinthians também fechou uma parceria e está adquirindo essas moedas digitais.

Na semana passada, o presidente do Conselho Deliberativo do Atlético, Mário Celso Petraglia, comentou o seguinte sobre essa empresa: "É um negócio grandioso, novo e moderno que entra no esporte mundial. Foram escolhidos pela Inoovi os principais clubes do mundo para essa inovação, e o Clube Atlético Paranaense está entre eles. É um dia muito importante e de bastante satisfação para todos nós. Faz parte de nossa história promovermos esse tipo de inovação".

 

Não foi nem bem elaborado

A Inoovi, que ainda não se manifestou, pode ser encontrada via website e perfil no Facebook. Ambos com identidade visual amadora, mal desenvolvidos e com comunicação falha.

A empresa promete que a criptomoeda IVI e seu token ERC-20 serão usados em todo o mundo envolvendo o pagamento de salários e até transferências de atletas com fama internacional. "Chega a ser difícil escolher por onde começar a falar das inúmeras bandeiras vermelhas que surgem", nota o Guia do Bitcoin.

"O token IVI se aparenta como 'o novo Bitcoin', o 'primeiro e único Bitcoin utilizado para transferências de jogadores de futebol'. Tais afirmações são de uma infelicidade ímpar. O Bitcoin é uma moeda digital revolucionária, nascida em 2008/9, com um time de desenvolvimento de experts em codificação computacional, milhões de usuários e entusiastas, ampla publicidade e reconhecimento mundial, com mais de cem bilhões de dólares de capitalização de mercado hoje, mesmo estando atualmente em relativa baixa à luz de outros momentos de sua história estrondosa de sucesso. Compare isso com o 'milagroso' token da Inoovi Ltd que tem quatro meses de vida, e um site suspeitíssimo". Primeira bandeira vermelha levantada pelo site.

O foco no mercado brasileiro também chama a atenção: na página de pagamentos, a empresa internacional exige o CPF do comprador das moedas, um documento que só os cidadãos brasileiros possuem. Segunda bandeira vermelha.

 

Whitepaper

A terceira bandeira vermelha está no whitepaper. Caso você não saiba, whitepaper é um documento ou página web que informa qual os ideiais, os problemas a serem resolvidos e um guia para a empresa ou organização. O whitepaper da Inoovi é um desastre: "uma peça dantesca de propaganda de péssimo gosto", realça o Guia do Bitcoin.

"Não há qualquer fundamento técnico no material, como é de praxe em whitepapers de moedas sérias. Há uma quase infinita quantidade de erros de português no documento e o foco é unicamente a venda dos tokens a qualquer custo, inclusive mediante promessas fantasiosas", notam.

A Inoovi "é absolutamente desonesta com seu público. Não explica a tecnologia da blockchain. Não explica os riscos do mercado de criptomoedas. Despreza e minimiza o Bitcoin e demais Criptomoedas que, por sinal, existem a mais tempo do que a “ivi” e possuem muito maior valor, liquidez e capitalização de mercado. Enche os olhos dos desinformados com promessas extravagantes e irreais intercaladas o tempo todo no site com anúncios do tipo Comprar IVI – Clique aqui", afirma o Guia.