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06 de Outubro de 2018 as 14:00

Coqueiro Seco no roteiro Lagoas e Mares do Sul

Coqueiro Seco é o primeiro destino desse novo roteiro, Lagoas e Mares do Sul, que a Tribuna Independente vai percorrer nas próximas semanas. A tradição oral diz que a origem do nome do município está ligada a um velho coqueiro seco, dentro de um vasto coqueiral, ponto de referência para os que passavam pela margem ocidental da Lagoa do Norte. Pescadores de outros lugares se fixaram ali devido à fertilidade da terra e à facilidade da pesca. Ali também eram realizados grandes negócios que viraram ponto de referência e de encontro atraindo os pescadores para observar os ventos e as marés. Assim o nome Coqueiro Seco foi estendido ao sítio e à primeira povoação que se estabeleceu.

Uma versão mais antiga afirma que dois mercadores se encontraram no local onde foi construído o primeiro núcleo da cidade, comerciando com os moradores que viviam esparsamente na região lagunar. Um dia ao se despedirem, combinaram: “No próximo mês, o encontro será aqui, neste coqueiro seco”. A história conta que alguns anos depois chegaram à região missionários da ordem dos franciscanos e se encantaram com a topografia do lugar, que apresentava planos altos e baixos. Assim mudaram sua denominação para Monte Santo. Mas acostumados com o antigo nome da cidade os habitantes ignoraram e mantiveram o nome de Coqueiro Seco.

Há relatos históricos da passagem do Imperador D. Pedro II na região, entre o final de 1859 e início de 1860.  Dentre os locais visitados por D. Pedro II está à freguesia de Coqueiro Seco e a sua igreja de belos azulejos portugueses e objetos de relíquia sacra. No “Diário de Viagem a Alagoas”, do Imperador Pedro II, consta sua admiração pela beleza daquele sítio e o registro da igreja no alto com duas torres, que possuía 12 imagens bem feitas, principalmente as de São Francisco de Assis e de São Francisco de Paula, trabalhadas pelo mesmo escultor que fez a de São Pedro Alcântara, do convento de São Francisco, em Salvador, Bahia e que foram trazidas de lá pelo padre Bernardo José Cabral.

O único registro histórico encontrado diz respeito à construção da igreja revestida de azulejo português e um grande pátio, que continua até hoje como a matriz da padroeira Nossa Senhora Mãe dos Homens, construída no século XVII pelo português José Cabral. As torres são revestidas de cacos de louça e a parte superior do frontal de azulejos guarda imagem do século XVIII e exemplos de excelentes trabalhos de talha.

Outro monumento histórico que se destaca na cidade é a capela de São Pedro, no povoado Cadoz de Nossa Senhora dos Remédios. Como atrativo turístico de Coqueiro Seco sua rica gastronomia baseada nas delícias proporcionadas pela Lagoa Manguaba, como o sururu, siri e o bagre, além da carapeba, fazem parte do cardápio gastronômico do município, que fica vizinho a Marechal Deodoro, e que tem o rio do Remédio como limite.

Igreja Nossa Mãe dos Homens é patrimônio de Alagoas

A igreja de Coqueiro Seco, sob a invocação de Nossa Senhora Mãe dos Homens, foi fundada pelo Padre Bernardo José Cabral, com licença do bispo de Pernambuco D. Diogo de Jesus Jardim em setembro de 1790. No dia 2 de março de 1791 obteve o pároco da então freguesia autorização para benzê-la e nela celebrar missas. Em 21 de julho desse ano, deu-se a concessão de quarenta dias de indulgência a todas as pessoas que, em presença da imagem da santa, rezassem uma Salve-Rainha; e assim foram iniciados os trabalhos clericais.

Única no estilo Barroco Rococó do Estado e 8º Patrimônio Isolado Tombado de Alagoas, a Igreja Nossa Senhora Mãe dos Homens, em Coqueiro Seco, será totalmente restaurada. Duas semanas atrás a prefeitura assinou a ordem de serviço para o início das obras, que devem começar no próximo mês e durar cerca de dois anos. Durante a obra as missas serão realizadas na Igreja de São Pedro, que pertence à Colônia de Pescadores Z3.

A presidente nacional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bogéa, que esteve na assinatura do convênio afirmou que “a igreja foi reconhecida e tombada como patrimônio. Ela faz parte da história da arte sacra do Brasil. É um momento muito simbólico e importante e nós temos a obrigação e o dever de protegê-lo. O Iphan, em parceria com a Prefeitura de Coqueiro Seco, fez todos os esforços para elaborar o projeto para conseguir a liberação dos recursos. A igreja realmente precisa. É um tesouro inestimável do qual não podemos descuidar em hipótese alguma”.

O arquiteto Mario Aloísio, superintendente estadual do Iphan, lembrou que o projeto de restauro foi iniciado em 2010, mas não houve avanço por conta da falta de projeto técnico. Ele também destacou uma imagem rara, de São José, na qual o Menino Jesus não está em seus braços, mas em pé, em tamanho natural.

Já o Monsenhor José Augusto destacou a importância da igreja Nossa Senhora Mãe dos Homens para os católicos e lembrou a passagem de Dom Pedro II por Coqueiro Seco. “A Arquidiocese tem em seu território tesouros imensos e aqui está um deles. Estamos felizes porque é um sonho não só da comunidade local, mas de toda nossa arquidiocese, de toda a igreja, para que nós possamos devolver a beleza e também dar a comunidade a oportunidade de experimentar o seu patrimônio de forma integral”.