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04 de Dezembro de 2018 as 11:40

Novas rachaduras surgem no Pinheiro e moradores vivem situação de pânico

Não é medo não, a gente tem pavor. Os moradores estão em situação muito difícil, a cada chuva os moradores entram em desespero, os grupos de WhatsApp lotam de mensagens, as pessoas não dormem à noite quando chove. O bairro está adoecido, a situação é gravíssima do ponto de vista do psicológico da comunidade. As pessoas estão adoecendo porque não sabem o que pode acontecer e a situação continua piorando”.

É assim que o morador Geraldo Castro Júnior define a situação vivenciada pelos moradores do bairro do Pinheiro desde o dia 15 de fevereiro, quando as rachaduras nos imóveis e vias começaram a se intensificar. Nove meses já se passaram e além da falta de respostas, eles continuam sofrendo com o aparecimento de novas fissuras.

José Cícero de 62 anos é proprietário de um apartamento no Residencial Divaldo Suruagy, que fica numa das áreas mais afetadas do bairro. Além de ter que deixar os imóveis, eles e os vizinhos estão tendo que conviver com um prejuízo de mais de R$ 190 mil, resultante de uma reforma realizada no prédio. Só para se ter uma ideia, para entrar num dos apartamentos é preciso passar pela janela do apartamento vizinho, porque as portas não abrem mais.

Morador Geraldo Castro Júnior reclama que cadastramento da população do bairro não surtiu o efeito esperado (Foto: Adailson Calheiros)

“Sempre convivemos com as rachaduras, só que a gente não sabia ao certo a causa. Em 2017 começamos uma reforma, cada morador pagou R$ 16 mil, eu sou o síndico daqui. Nós mandamos cavar mais de um metro para reforçar a fundação, consertar as rachaduras. Quando a gente terminou a reforma, que íamos pintar começaram as chuvas e as rachaduras… Perdemos tudo que foi empregado. Nós saímos, ninguém tem coragem de ficar mais. As portas não abrem porque a laje cedeu, todos os dias aparecem novas rachaduras”, detalha o morador.

“A atividade aqui não parou, a terra continua se movendo. Tem casas com aberturas de 15cm. Outra o chão está cedendo, o piso e as paredes estão ocas”, conta José Cícero.

Morador do bairro há 38 anos, Sebastião Vasconcelos diz que a tia de 92 anos sofre de câncer e precisou sair do apartamento onde morava.  “Essas pessoas que tiveram que sair de suas casas, a Prefeitura não sabe quantas. Outra questão é o psicológico. Tem muita gente aqui morando de favor, que não têm condições de pagar um aluguel. E aí, o que vão fazer? Tem um ponto que a gente não aguenta. Trabalhar uma vida toda e chegar aos 92 anos, como é o caso da minha tia, e de repente você perder e não receber nenhuma ligação? Essa é a nossa maior preocupação hoje, o amparo dessas pessoas, de todos”, destaca.

Sem solução
Moradores se articulam para cobrar providências

 

Na busca por alternativas para o problema, os moradores do bairro têm se articulado de forma paralela para dar suporte às demandas da comunidade. Numa das ações, eles organizam uma mobilização para hoje (4), quando pretendem reunir mais de 300 pessoas para cobrar providências por parte do poder público.

“Temos um núcleo geral, uma diretoria, uma coordenadoria de comunicação, de articulação política, judicial, todos voluntários, todos moradores. Estamos nos articulando, vamos vender camisas para angariar fundos, conscientizando a comunidade para tentar achar uma solução do ponto de vista das consequências, porque das causas nem o prefeito, nem o governador, nem técnico nenhum do mundo vão conseguir parar em curto prazo. Um fenômeno como esse não pode ser parado de uma hora para outra. Enquanto eles estudam, se um prédio desse cair, o que irá ser feito? Tem vidas em jogo”, questiona Geraldo.

Para os moradores, é preciso mais do poder público.  “A comunidade quer saber o que vai ser feito com o bairro do Pinheiro. A comunidade está se sentindo órfã de governador e prefeito e exigindo que eles venham conhecer in loco, entrar nas casas, conversar com os moradores. A comunidade precisa de amparo”, questionam.

“Moradores estão adoecidos, afetados pelo psicológico” (Foto: Adailson Calheiros)

Geraldo reclama que o cadastramento da população não surtiu o efeito esperado. “A Defesa Civil tem prestado assistência, eles têm vindo aqui, mas o que é inegável é a questão da comunicação para com a comunidade do bairro do Pinheiro. Eles não estão sabendo se comunicar, haja vista a situação do censo. Se tivesse em andamento eles estariam aqui. Quando você quer coletar dados você vai na porta das pessoas e não dessa forma. Até agora, desde fevereiro, não sabemos quantos foram realmente afetados”, critica.

Por meio de nota a assessoria de comunicação informou que as ações no bairro seguem em andamento.

“A Secretaria Adjunta Especial de Defesa Civil informa que o censo iniciado no bairro Pinheiro deve ser concluído nas próximas semanas. Ao encerrar a coleta de dados, as informações sobre as famílias da região afetada pelas rachaduras serão encaminhadas ao Governo Federal, que recomendou o censo. Em relação à liberação de recursos e equipamentos que devem ser viabilizados para a continuidade dos estudos no bairro, a Defesa Civil informa que os processos estão em andamento por meio de órgãos do Governo Federal, como o Serviço Geológico do Brasil, e aguarda informações sobre prazos”, diz na íntegra.