Pesquisador defende criação de força-tarefa contra o coral-sol

A confirmação da presença do coral-sol, espécie invasora na costa alagoana foi recebida com preocupação pelos pesquisadores da área. O monitoramento de uma possível chegada já vinha sendo feito e agora os registros realizados num naufrágio no Litoral Sul do estado possibilitaram a identificação. Com a constatação, os especialistas defendem a criação de uma força-tarefa para impedir a proliferação para demais pontos do litoral.

“Infelizmente perdemos a oportunidade de fazer a prevenção de nossos recifes contra o coral-sol, agora é buscar os órgãos públicos responsáveis e contribuir para a criação de um programa estadual de monitoramento e controle de espécies invasoras”, explica o pesquisador e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) Cláudio Sampaio. A espécie invasora é nativa do Oceano Pacífico e sua presença em águas alagoanas prejudica os ecossistemas alterando a composição e reprodução das espécies, além disso impacta diretamente no turismo e pesca local.

“Devido a importância da pesca e turismo na economia do Estado de Alagoas, a chegada do coral-sol é preocupante. Conhecido como espécie invasora devido aos impactos negativos que causam, fora de sua área natural, que é o Indo-Pacífico, o coral-sol compete por espaço e alimento com espécies nativas de corais, esponjas, algas e moluscos, reduzindo a presença desses animais, que desempenham serviços ecológicos importantes, como filtragem da água pelas esponjas, alimento para peixes no caso das algas e os corais nativos que constroem os recifes e as famosas piscinas naturais. No litoral brasileiro não há muitas espécies de corais nativos construtores de recifes e a chegada do coralsol invasor pode causar desequilíbrios e prejuízos”, detalha.

Invasor perigoso causa impactos negativos em corais e peixes nativos

O coral Tubastraea ta-gusensis, como é conhecido coral-sol, é considerado uma espécie invasora no Brasil porque é nativa do oceano Indo-Pacífico. Os primeiros registros na costa brasileira ocorreram na década de 1980 em plataformas de petróleo e depois em costões rochosos no Rio de Janeiro. De acordo com o pesquisador, a espécie vem se expandido para vários estados, como São Paulo, Santa Catarina, Sergipe, Bahia, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Ceará e agora Alagoas.

“Atualmente esses invasores estão em franca expansão no litoral brasileiro, sendo encontrados em vários tipos de substrato artificiais como plataformas de petróleo e gás, cascos de navios, píeres, marinas, boias de sinalização, quebra-mares, naufrágios e em substratos naturais como costões rochosos e recifes de corais. Diversos estudos já demonstraram que esse invasor vem causando impactos negativos em corais e peixes nativos, modificando funções ecológicas importantes”, diz.

Na prática, o coral-sol é uma espécie dominante com alta capacidade de expansão, o que acaba “sufocando” as espécies nativas.

“Estudos recentes indicam a mudança do comportamento de peixes, que podem buscar áreas não invadidas pelo coral-sol e na redução da biodiversidade dos recifes, pois o coral-sol tem elevadas taxas de crescimento e raros predadores naturais aqui no Brasil. Quando o coral-sol domina o ambiente, deixa ele, além de mais pobre, menos colorido e isso pode fazer com que turistas procurem novas áreas, sem coral-sol, para visitar”, explica.

Em Maceió, ainda não há registros da presença do coral-sol, diz o pesquisador.

“O IMA [Instituto do Meio Ambiente] tem instalado placas de recrutamento no Porto de Maceió, para monitorar a chegada do coral-sol. As placas são metálicas e simulam um casco de um navio ou mesmo de um naufrágio, mas até agora nenhum coral-sol foi encontrado nas placas sugerindo que o coral-sol ainda esteja restrito ao Litoral Sul de Alagoas”, pontua.

Ações: “temos apenas iniciativas da Ufal e entidades parceiras”

Cláudio Sampaio aponta que até agora apenas ações de estudo e pesquisa vêm sendo realizadas de forma independente pela universidade e entidades parceiras.

“Até o momento temos apenas as iniciativas da Ufal e seus parceiros como o Instituto Biota, Projeto Corais do Brasil, Projeto Conservação Recifal e ICMBio em monitorar os recifes e naufrágios, bem como através da ciência cidadã”, expõe.

Ele defende a estruturação de ações que impeçam a proliferação dessa espécie em toda a costa e ajudem na diminuição dos impactos onde ela já está instalada.

“A Ufal e os parceiros, além das operadoras de mergulho, podem capacitar técnicos para realizar a retirada manual e cuidadosa do coral-sol, que, por envolver o mergulho em águas mais profundas e distantes da costa, é complexa e cara. A continuidade de ações de divulgação cientifica, com auxílio da ciência cidadã, é também necessária para encontrar novos focos do coral-sol em Alagoas”, enfatiza.

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