Uberização, desemprego e perda de direitos marcam Dia do Trabalhador

Perdas de direitos, desemprego e prevalência da terceirização. É assim que especialistas descrevem o cenário para o trabalhador no 1° de maio. Este ano, o Brasil deve ocupar o 9º lugar no ranking do desemprego mundial segundo projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI). Fora das estatísticas, a população precisa lidar também com a perda do poder de compra e a inflação.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a inflação acumulou nos últimos 12 meses, alta de 11,30%. A posição defendida pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) é de que faltam motivos para comemoração. A data será marcada por reivindicações. De acordo com a presidente da entidade, Rilda Alves, diversas entidades estarão mobilizadas no próximo domingo (1°) na Pajuçara em frente ao clube do CRB para cobrar avanços.

“Estaremos junto com as centrais sindicais, a Frente Povo Sem Medo e a Frente Brasil Popular. O nosso ato do primeiro de maio ele vai ter extensa programação tanto de reivindicação, mas também de atração cultural. Vamos ter momento de protesto, de denúncias, principalmente com relação ao que diz respeito hoje. Né? A condição de vida da classe. Questão do desemprego, questão de retirada de direito, questão da fome, da miséria, das privatizações. Então a gente também vai tá trazendo a pauta da classe trabalhadora pra dentro do primeiro de maio”, explica Rilda.

De acordo com Rilda Alves, este ano o 1º de maio terá o reforço no tom de cobrança e luta por direitos. “Temos uma inflação onde quando o trabalhador recebe no fim do mês não consegue nem pagar a alimentação que dirá o resto das contas. A gente lamenta e se pergunta: o que vamos comemorar? O 1º de maio não é mais aquele pensado pra comemorar o dia do trabalhador, mas um dia de protesto, de luta, pela situação em que se encontra o trabalhador brasileiro”, crítica.

“Lógica da terceirização vem pulverizando o mundo”

Na avaliação do sociólogo Carlos Martins a situação do trabalhador pode ser classificada na chamada “uberização” com mudanças profundas nas relações de trabalho agravadas principalmente pela Reforma Trabalhista

“Ela foi na direção de um processo de flexibilização do trabalho. Claro que isso vai ter como consequência a precarização do trabalho, a insegurança jurídica nas relações de trabalho. Então, o que o mundo do trabalho oferece? O que tem apresentado nesse momento? É exatamente a possibilidade em que na relação entre capital e trabalho na relação de produção fique o mais flexível possível. A lógica da terceirização, ela vem pulverizando o mundo”, destaca.

Segundo o sociólogo, o aplicativo é utilizado como exemplo porque reúne a lógica que vem sendo utilizada atualmente de exploração da força de trabalho e da logística da produção.

“A Uber é uma terceirização. E não só da mão de obra. Ela vem com todo o aporte, ela vem com todo o meio de produção para poder produzir para a empresa. A Uber é um fantasma. Com quem se estabelece a relação? Com quem é que o trabalhador está estabelecendo? Relação ele não tem nem com ninguém. O aplicativo não é uma indústria, não é uma fábrica, não tem uma sede. E nessa relação de trabalho o trabalhador vai colocar a sua logística ou ele vai sublocar. E aí é a lógica da terceirização. Ela predomina. Na lógica da uberização, ela faz com que o patrão não tenha os meios de produção efetivamente. Mas esses meios de produção são do próprio trabalhador que além de oferecer sua mão de obra de trabalho, ele tem que oferecer também toda a logística. Todo o suporte para a produção da riqueza para o patrão”, pontua.

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