Parasitoses Humanas: conheça como é realizado o trabalho de controle em Maceió

Uma das áreas de atuação da Secretaria de Saúde de Maceió é a prevenção e o controle de doenças transmitidas por enteroparasitoses – infecções transmitidas por parasitas que habitam o sistema gastrointestinal. Esse trabalho é realizado pela Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ) por meio do Programa de Vigilância e Controle da Esquistossomose. Um dos objetivos do Programa é reduzir a prevalência dessas infecções causadas por parasitas e diminuir o risco de expansão dessas doenças.

Ana Patrícia Tenório, gerente de Entomologia e Laboratório da UVZ, explica como é o trabalho de campo realizado pelos profissionais no controle dessas doenças. “Os agentes de combate às endemias realizam busca ativa com visitas aos domicílios em áreas previamente estabelecidas. Lá eles fazem o cadastro dos usuários e distribuem coletores universais para o recolhimento de amostras. Após a entrega, os agentes retornam em dois dias para buscar a amostra e encaminhar para análise no Laboratório de Diagnóstico de Enteroparasitoses da UVZ”, afirma a coordenadora.

Durante o trabalho de campo nas residências, porém os agentes de combate às endemias ainda encontram resistência da população para a entrega de amostras. “Muitas pessoas ainda ficam sem jeito de entregar o material na hora, por serem fezes, mas elas também têm a opção de levá-las para a UVZ, que recebe essas amostras para análise de segunda a sexta-feira, de 7h30 às 12h. Após nossa análise, em caso positivo para parasitose, também fornecemos a medicação para tratamento, e em pacientes positivos para esquistossomose a medicação é encontrada apenas no SUS”, explica a agente de saúde e técnica do Laboratório de Enteroparasitoses da UVZ, Gleiciane Alves.

Gleiciene Alves, agente de saúde e técnica do Laboratório de Enteroparasitoses da UVZ.  Foto:  Programa de Vigilância e Controle da Esquistossomose

Gleiciene Alves, agente de saúde e técnica do Laboratório de Enteroparasitoses da UVZ. Foto: Programa de Vigilância e Controle da Esquistossomose
Para receber a medicação é preciso receita médica. Quando o paciente recebe o resultado do exame, em caso positivo, a pessoa deve ir a uma unidade de saúde de demanda espontânea mais próxima e mostrar o resultado ao médico para que seja feita a prescrição ou marcar com o próprio agente de saúde que atende na região para que ele viabilize essa prescrição.

O serviço de coleta e análise de amostras é destinado a toda a população que esteja com alguma suspeita de parasitose. Os sintomas incluem diarreia, fraqueza, dor abdominal, perda de apetite, entre outros. Todos podem ser acometidos por essas infecções, mas trabalhadores que têm atividades relacionadas à água contaminada, como pescadores ou pessoas que têm muito contato com rios devem ter os cuidados redobrados, por conta da infecção pelo Schistosoma mansoni. Em locais sem saneamento básico também há maior risco de surtos de outras verminoses, como Ascaris lumbricoides (lombriga), Ancilostomídeos (parasitas intestinais), entre outros.

Método de análise das amostras e tratamento das doenças


Para análise das amostras na UVZ, é utilizado o método Kato – Katz, padrão ouro do Ministério da Saúde para a identificação de parasitas, principalmente para o diagnóstico da infecção causada pelo Schistosoma mansoni, agente causador da esquistossomose. O método permite, além da visualização dos ovos, que seja feita sua contagem por grama de fezes, fornecendo um indicador quantitativo que avalia a intensidade da infecção e a eficácia do tratamento.



Profissionais durante análise das amostras em laboratório. Foto: Programa de Vigilância e Controle da Esquistossomose
Com os resultados, positivos ou negativos em mãos e cadastro no Sistema de Informação em Saúde do Programa de Controle da Esquistossomose (PCE), os agentes voltam a campo e entregam o resultado ao paciente. O tratamento dos casos positivos para esquistossomose e outras parasitoses é aliado a ações de educação em saúde, com o objetivo de evitar novas infecções.

PSFO acompanhamento desses pacientes é feito em parceria com as Unidades Básicas de Saúde, por meio das equipes do Programa de Saúde da Família (PSF). Esses profissionais, junto com a equipe do PCE monitoram o paciente por meio da realização do controle da cura, uma importante ação executada após o quarto mês de tratamento dos casos positivos, que consiste na realização de três coletas de exames de fezes em dias sucessivos.

Telefone de serviço

Para que os usuários possam tirar dúvidas sobre exames e entregas de amostras, a Unidade de Vigilância de Zoonoses disponibiliza o contato: 3312-5576 (Opção 5 – Gerência de Entomologia).Perigos das verminoses

Mal-estar, dores nas pernas e barriga, diarreia ou prisão de ventre, prostração e falta de apetite são alguns sintomas que podem indicar a presença de verminoses. Porém, há casos em que os sinais só se apresentam depois de muitos anos e podem ter sintomas agravados, como o aumento do baço, fígado e aparecimento de ascite, conhecida como “barriga d’água”.

Uma das verminoses mais perigosas é do gênero Schistossoma, que se instala nas veias do fígado e do intestino das pessoas doentes. As fezes de pessoas doentes contêm ovos com vermes e se essas pessoas fazem necessidades no chão, a chuva carrega os ovos para rios, lagos e valetas, que pode contaminar outras pessoas. A esquistossomose tem como hospedeiro intermediário o caramujo de água doce, que também conta com ações da Gerência de Laboratório e Entomologia da UVZ para seu controle.



UVZ também realiza o controle do caramujo africano, hospedeiro intermediário de umas das verminoses mais perigosas. Foto: Programa de Vigilância e Controle da Esquistossomose
Entre as principais medidas profiláticas para evitar parasitoses estão o consumo de água filtrada ou fervida, lavar as mãos antes das refeições e ao usar o banheiro, andar sempre calçado e não evacuar próximo a água dos rios, açudes e lagoas, entre outras.

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