Falta de medicamento prejudica tratamento da pneumonia infantil 

A falta do medicamento clavulanato de potássio mais amoxicilina, nas farmácias de Maceió, vem preocupando pediatras. O remédio é amplamente utilizado no tratamento de pneumonia infantil.

Segundo a pediatra e neonatologista Carmem Passos, a escassez da medicação vem dificultando o enfrentamento das principais infecções respiratórias, além de representar perigo de geração de resistência a bactérias. “Com a utilização de medicamentos alternativos, uma segunda escolha há sempre uma tendência de provocar resistência bacteriana. Isso traz um mal de grandes proporções para o futuro”, alertou a médica.

Carmem relatou que “atualmente uma das principais medicações usadas no tratamento de infecções respiratórias infantis são à base de amoxicilina, derivado penicilamínico, obtido por meio da modificação e purificação da penicilina. A amoxicilina com clavulanato vem sendo usada há alguns anos como linha de frente, a primeira escolha em casos de pneumonias, otites e sinusites, principalmente nos tratamentos infantis. Por isso, os pediatras vêm enfrentando muitas dificuldades para tratar infecções predominantes deste período do ano”.

A médica disse ainda que a falta da amoxicilina com clavulanato, em suspensão, vem sendo alvo de grande preocupação da classe pediátrica.

“Nós que lidamos todos os dias com infecções que precisam ser tratadas com essa medicação muitas vezes, infelizmente, precisamos abrir mão dessa primeira linha para tratar de forma alternativa. Doenças que poderiam ser tratadas com a primeira linha acabam sendo tratadas com uma medicação de escolha. Isso pode levar a uma seleção bacteriana, uma resistência bacteriana com prejuízos futuros no tratamento de infecções mais simples”, lamentou.

Segundo o vice-presidente do Conselho Regional de Farmácia (CRF/AL), Daniel Fortes, a falta do medicamento se deve, dentre outros fatores, ao lockdown, confinamento, ocorrido na China. “A China é um dos principais produtores de insumos farmacêuticos e o fechamento do País resultou no desabastecimento do setor. Além disso, quando a importação desses insumos começa a ser regularizada, as normas de vigilância sanitária exigem a quarentena desses produtos. Então, mesmo com a chegada deles no Brasil, a indústria precisa de um tempo para processar os insumos e viabilizar a medicação”, afirmou Fortes.

Outro fator apontado por Fortes para a escassez da medicação foram os surtos viróticos que ocorreram no início deste ano. “Foram muitas prescrições desses medicamentos antimicrobianos, assim como de analgésicos, anti-inflamatórios e antitussígenos. Esse aumento do consumo, juntamente com fatores, como o lockdown da China acabou gerando uma redução na oferta desses medicamentos”, disse ele.

Os antimicrobianos são medicamentos que só podem ser vendidos com a apresentação de receita médica. Por esse motivo, Fortes disse que “o paciente precisa voltar ao consultório para pegar uma nova receita. A nossa recomendação é que ele volte ao médico explique a dificuldade em encontrar a medicação e solicite que o profissional faça a substituição por um outro terapêutico que tenha função semelhante ao anteriormente prescrito”, aconselhou.

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