Arapiraca – A festa da padroeira em décadas passadas

Mês de janeiro andando. Chega o dia 24 do mês e a novena em louvor à Nossa Senhora do Bom Conselho tem início na primeira noite.

Às seis, doze e dezoito horas girândolas de foguetes, produzidos pelo fogueteiro Antônio Baixinho espocavam nos ares, anunciando ao som da famosa Zabumba dos Ambrósios que Nossa Senhora do Bom Conselho está em festa.

A rua do Comércio se enchia de barcos, trivolins, rodas-gigantes, músicas da época em alto falantes instalados na posteação.

Hotel Lopes. Rapazes se encostavam nos carros estacionados em frente ao hotel. Mocinhas passeando e exibindo o aroma da adolescência e do despertar para o amor recebiam o galanteio dos jovens em suas passagens, algumas vezes fazendo nascer o namoro, o noivado e o matrimônio.

Valdik Soriano, irmãs Galvão, Jackson do Pandeiro, Orlando Dias, Carlos Alberto, o chorão, Nelson Gonçalves e outros abriam suas canções românticas para apaixonadas e apaixonados da juventude.

Aqui e ali, algumas vezes se ouvia a dedicação de uma música, “Alô alguém da blusa vermelha, receba essa música de alguém que muito lhe quer. Assina: “Você Sabe.”

Cachorro quente do Parque Caruaru. A cabana da “Mulher e a Fera”. As barracas e bazares ostensivamente iluminados coloriam a festa com agradáveis cores reluzentes que piscavam incessantemente.

Primeiro de fevereiro, último dia da festa. A rua do comércio era minimamente pequena para comportar o número de pessoas que vinha participar das alegrias de uma festa religiosa com sabor profano.

Não se andava soltamente. Andava-se em empilhamento humano, com passadas limitadas à enorme quantidade de pessoas circulando em passeio festivo.

CHEGA O “DOIS DE FEVEREIRO” – Encerramento da festa.

 A tarde tomava ares apoteóticos para o acompanhamento da procissão, cuja charola, caprichosamente ornamentada com flores naturais, conduzia a imagem de Nossa Senhora do Bom Conselho pelas ruas da cidade.

 Ouviam-se, Valsa de Viena, Danúbio Azul, Valsa do Imperador, Lago dos Cisnes, músicas tocadas no serviço de Alto Falante do saudoso Zé de Sá dando um sabor de nobreza ao encerramento da festa da padroeira da cidade.

 As pessoas se preparavam previamente para o momento místico da procissão com larga dose de ostentação pessoal.

Mulheres brindavam o evento com vestidos a requinte e perfumadas com a melhor fragrância da época, o francês, Madeira do Oriente. Um frasquinho de perfume com uma tala de madeira dentro.  

Homens buscavam o melhor alfaiate da cidade para confecção do terno de tecido de linho ou tropical, para garbosamente se apresentarem á procissão.

A banda de música do maestro Nelson Palmeira seguia a charola tocando o “Dobrado 220” e “Sargento Evangelista”, encerrando a procissão e a festa com a bênção do padre Epitácio Rodrigues e o deleite da Retreta no Coreto que ficava a frente da Igreja Matriz, hoje Igreja do Santíssimo Sacramento.

Assim eram a vida e a festa vividas em tempos que deixaram lembranças e saudades.

Artigo : José Ventura Filho postado no tecla1

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