Maré Vermelha: quase 200 pessoas buscam atendimento médico na Barra de Santo Antônio em menos de 24h

Um fenômeno natural conhecido como maré vermelha teria levado ao menos 191 banhistas a buscarem atendimento médico na Barra de Santo Antônio, no Litoral Norte do estado, em menos de 24 horas. O fenômeno é causado pela proliferação desenfreada de microalgas planctônicas, que liberam toxinas nocivas à saúde humana e já havia sido constatado nos últimos dias no litoral pernambucano. 

De acordo com a Secretaria de Saúde da Barra de Santo Antônio, as notificações foram registradas entre 16h30 dessa quarta-feira, dia 31 de janeiro, e 07h desta quinta-feira, 1º de fevereiro. Os pacientes são banhistas que estavam na Praia de Carro Quebrado e em um hotel próximo à beira mar, que apresentaram sintomas de problemas respiratórios. Mas, segundo a secretaria, a causa dos sintomas ainda não foi definida.

O fenômeno

Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), durante o período da maré vermelha, pode acontecer aumento da salinidade e outros fatores prejudiciais à saúde, e a orientação é de que a população evite ir à praia e ter contato com a água do mar. A exposição pode acontecer também através de respingos e do vento. 

Municípios vizinhos às praias onde foram registrados o fenômeno também devem ficar atentos ao aparecimento de manchas e à alteração de odores na praia. O Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/AL) enviou técnicos para colher amostras, que serão analisadas.

O pesquisador Manoel Costa, do Laboratório de Aquicultura e Ecologia Aquática (Laqua), da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), explicou que o fenômeno é observado tanto no ambiente marinho quanto na água doce. “O fenômeno de maré vermelha é causado principalmente pelo aumento das temperaturas e também com a movimentação do sedimento que está no fundo para a superfície Os principais grupos que causam esse fenômeno são os grupos dos dinoflagelados, que causam manchas avermelhadas”, disse.

Os sintomas comuns aos banhistas expostos são diarreia, enjoo, vômitos, dores no estômago, queimação na pele, secura e irritação nos olhos e até dificuldade para respirar.

Em Alagoas, o fenômeno já foi observado na bacia do Rio São Francisco, na Laguna Mundaú, além de diversas praias. “Essas florações de microalgas podem trazer problemas de pele, gastrointestinal, dor de cabeça, vômito, além de trazer problemas para biota aquática, como peixes e microrganismos, que em contato podem morrer. Em casos mais graves, mas não comuns, pode levar à amnésia e à morte do homem”, acrescentou Emerson Soares, pesquisador e professor da Ufal.

Veja a nota enviada ao TNH1 pela Prefeitura:

A Prefeitura da Barra de Santo Antônio, por meio da Secretaria de Saúde, informa que foram realizados 191 atendimentos das 16h30 dessa quarta-feira, dia 31 de janeiro até 07h desta quinta-feira, dia 1º de fevereiro. Esses pacientes que foram atendidos são procedentes da Praia de Carro Quebrado e de um Hotel apresentando sintomas respiratórios (tosse, coriza e obstrução nasal, dor de garganta e hiperemia conjuntival) que até o momento não tem causa definida. Segundo informações colhidas inicialmente, esses sintomas podem ser provocados por um fenômeno da natureza denominado “Maré Vermelha”.

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