Minas 20 e 21: especialista diz que população não corre risco

O engenheiro Abel Galindo, professor aposentado da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e especialista em análise de solo, disse ontem, em entrevista à Tribuna Independente, que embora as minas 20 e 21 tenham se fundido, como ele havia previsto, não há risco para os moradores da região do Flexal de Baixo, Bebedouro e Bom Parto, mesmo que elas entrem em colapso.

“Com relação a essa notícia sobre a mina de sal-gema 20/21, explorada pela mineração da Braskem, tenho a lhe informar: no relatório alemão de 2019, tem minas maiores que essa 20/21. A mina 25 já tinha diâmetro de 108 metros, a mina 29 tinha diâmetro de 125 metros e o diâmetro da mina 34 era 106 metros”.

“Além disso, essa mina 20/21, em 2005 já estava fora da camada salina e já tinha subido 82 metros. Portanto essa subida de 6 metros é insignificante. Não acontecerá nada com os bairros vizinhos e nem com a lagoa. Basta isolar uma área de raio de uns 150 metros em torno dela e pronto”, relatou Abel Galindo.
Sobre o monitoramento das minas de sal-gema, tamponadas ou não, ele disse que isso é responsabilidade da Agência Nacional de Mineração (ANM). De acordo com a Braskem, das 35 minas desativadas por determinação judicial, 70% delas foram tapadas. As demais serão fechadas quando a operação tamponamento for retomada.

Segundo a Defesa Civil de Alagoas, as minas 20 e 21 se conectaram, formando uma cratera sob o solo maior do que a mina 18, que colapsou em dezembro. A informação foi divulgada na última terça-feira (30/1). De acordo com o órgão, a cavidade está se movimentando e não se pode descartar o risco de rompimento.

As duas minas que se fundiram estão dentro da lagoa Mundaú, nas proximidades da mina 18. Informações coletadas por uma sonda introduzida no interior das minas conectadas apontam que a cavidade tem 121 metros de altura, por 96 metros de largura e volume de 340,297 metros cúbicos, quase dez vezes maior que a cratera aberta na mina 18.

Além disso, as minas que se fundiram estão a 723,78 metros abaixo da superfície (em novembro de 2023, o topo da mina ficava a uma profundidade de quase 730 metros, o que comprova a movimentação em direção à superfície).

O monitoramento da mina 20/21 foi uma recomendação da Defesa Civil de Alagoas para avaliar o quanto o colapso de dezembro impactou nas cavidades vizinhas. O órgão informou que segue monitorando a cavidade. A próxima mina a ser analisada por meio de sonar é a 29, localizada também dentro da lagoa.
Para o chefe da seção de desastres naturais da Defesa Civil Estadual, capitão Douglas Gomes, se a mina 20/21 colapsar, o impacto será menor que o da mina 18.

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