Especialista explica como altas temperaturas afetam a saúde dos pets e dá dicas como protegê-los do forte calor

As altas temperaturas e ondas de calor registradas nesta época do ano podem ter consequências sérias para a saúde dos animais de estimação. Cães e gatos, sofrem quando os termômetros aumentam. Eles podem apresentar sinais de que estão sentindo os efeitos do calor, como: sudorese, salivando mais que o habitual, língua para fora, respiração ofegantes, sem interesse por brincar ou comer.

Em janeiro deste ano, várias cidades de Alagoas registraram altas temperaturas. Arapiraca, por exemplo, chegou a registrar a maior temperatura do país em um dia de forte calor, 37,3°C.

Os animais de estimação são mais sensíveis a temperaturas extremas, principalmente cães e gatos, já que não transpiram como os seres humanos por não possuírem grandes quantidades de glândulas sudoríparas pelo corpo. A regulação da temperatura corporal acontece principalmente pelas patas, no caso dos gatos, e pela língua, no caso dos cachorros.

O Cada Minuto conversou com a médica veterinária Taíne Soares, que explicou que para garantir o bem-estar dos animais e protegê-los durante esse período de calor, é importante adotar medidas preventivas e proporcionar um ambiente mais confortável e ventilado para os pets.

A veterinária também falou sobre como o calor pode afetar os animais e o que é necessário fazer para  ajudá-los nos dias mais quentes.

Confira a entrevista:

A médica veterinária Taíne Soares / Foto: Arquivo Pessoal

Os pets suportam temperaturas altas?  Qual a temperatura dos pets normalmente?

Não, eles não suportam temperaturas altas. Apesar de eles terem uma temperatura corporal naturalmente mais elevada do que os seres humanos, eles não suportam uma elevação muito alta dessa variação fisiológica deles, que varia de 37,5 até 39,3, mais ou menos. Então, tudo que passa dessa variação é hipertermia, e quando é mais baixa que essa normalidade é hipotermia.

O que o excesso de calor pode provocar nos animais?

O excesso de calor pode trazer muitos prejuízos para os pets. Acho que o principal é com relação à insolação, porque quando passa muito da temperatura de 39.3 o corpo começa a reagir como mecanismo de defesa. Então, os animais vão superaquecer rapidamente levando a exaustão, uma desidratação. Ele começa a perder muito líquido e isso pode trazer outras consequências. Com a desidratação e a própria insolação em si, o corpo vai começar a reagir como mecanismo de defesa e outros órgãos vão trabalhar também no seu limite. O rim pode se sobrecarregar e isso tudo vai acarretando danos para o corpo do animal. Além da insolação e da desidratação, o animal também pode ter queimaduras, principalmente quando ele fica exposto ao sol, nas regiões que não são cobertas por pelos, como por exemplo o focinho, o nariz, a orelha, a barriguinha também, que geralmente não tem pelo e é uma pele mais sensível. Também tem a questão dos coxins, que são essas almofadinhas que ficam abaixo da pata, é uma região queratinizada, porém quando o cão ou gato vão passear no asfalto quente, pode ocorrer uma queimadura séria nessas regiões, são regiões mais sensíveis.

Também podem ocorrer problemas respiratórios, pois no calor e nas altas temperaturas a frequência cardíaca e a frequência respiratória do animal  aumentam. Há pets que têm maior predisposição a ter problemas respiratórios, são os chamados braquicefálicos, aqueles animais de focinho curto. Os cães, por exemplo, os buldogues, os puggles, que têm o focinho achatado, curto. Isso, naturalmente, já traz um problema respiratório para eles e quando as temperaturas estão elevadas o problema se agrava muito. Um exemplo de raça de gato com focinho curto são os persas. Então, essa dificuldade respiratória pode levar até uma hipóxia, a um desmaio desse animal. Outra coisa para se atentar é com relação aos parasitas. Os carrapatos, as pulgas, eles ficam inquietos com as altas temperaturas e aumentam sua atividade, ou seja, vão começar a morder e a picar mais os animais. Isso vai causar irritação nos pets, pode levar a dermatites, devido a  coceira.

Quais os sinais que os pets dão que indicam que estão com excesso de calor?

Eles começam a apresentar sinais de desconforto. Começam a respirar ofegante, a salivar muito, podem ficar quietinhos, a ficar letárgicos. Eles geralmente vão procurar um local com sombra. Aquele pet que não quer mais brincar, que é ativo, mas que para de brincar, que fica o tempo todo deitado, bem esticado, tentando pegar a parte mais fria do chão, com a barriguinha pra baixo. O animal procura locais de sombra, ele vai procurar o local que tenha um piso mais frio.

Como as pessoas podem ajudar os pets a sentir menos o aumento da temperatura? Quais cuidados devem ter?

As pessoas podem ajudar mantendo o animal com uma boa hidratação, oferecer muita água, limpa e fresca, alguns pets gostam até da água mais geladinha. Devem deixá-lo sempre em locais de sombra, oferecer frutas refrescantes, como por exemplo melancia, que tem uma alta quantidade de água. É importante lembrar de sempre conversar com o médico veterinário para saber quais as frutas permitidas para os pets, porque algumas frutas são tóxicas. É interessante também fazer picolézinho de fruta, bater só a fruta com um pouco de água, colocar no congelador e depois ofertar para o pet  nos horários mais quentes.

É importante também estimular a  ingestão de água nos pets. Muitas vezes a gente sai de casa, deixa o bebedouro com água e quando volta ele está vazio, então a gente não sabe quanto tempo esse pet ficou com sede. Também é importante lembrar que alguns gatos têm resistência a ingerir água e gato gosta de água corrente, então, às vezes , é bom deixar a torneira ligada para o gato ir até lá e tomar água. Há bebedouros que são fontes  e é uma boa opção para que o animal veja sempre a água em movimento, vá lá e tenha vontade de ingerir. Pode-se também apostar em rações úmidas que estimulam o consumo de água. Quando eu falo em rações úmidas, eu falo daqueles patês, daqueles sachês que vendem tanto para cães, quanto para gatos.

Quanto ao comedouro e lugar para dormir, quais os materiais indicados?

Quanto ao local para dormir, o mais indicado é que seja tecido respirável, se o seu pet dorme normal no chão, ele deve estar  limpo e fresco, pois com a alta temperatura o animal consegue resfriar melhor  o corpo deitado no chão. Então, sempre um chão revestido, que esteja limpinho, sem acúmulo de sujeira  e sem muita umidade também.

Quais os horários adequados para atividades físicas ou passeios?

As atividades físicas e passeios devem acontecer sempre nos horários mais frios, o início da manhã, o fim da tarde, sempre buscando locais de sombra, que sejam mais arejados e ventilados. Lembrar de sempre observar se o animal  está ficando ofegante, com aquela respiração pesada, se ele está querendo parar ou se dar sinais de que não está mais suportando. Evitar passeios em horários muito quentes, evitar que sejam passeios longos, preferir passeios mais curtos ou fazer pausa para o animal descansar. Tanto durante os passeios, quanto durante as brincadeiras é sempre importante não exagerar na questão da atividade física desse animal em dias muito quentes. Não usar roupinhas durante os passeios e em dias quentes. O animal já tem a proteção dele e a roupinha é só uma questão estética.

Animais precisam de proteção solar? Em quais casos e como aplicar?

Não necessariamente, os animais precisam de proteção solar, mas quando você vai expor esse animal ao sol e o sol está muito quente, como por exemplo na praia ou no parque, você pode sim utilizar protetor solar. Tem dois tipos de protetor solar, o creme, que é usado nas regiões sem pelo, como focinho, orelha, barriga e nariz, por exemplo,  deve-se passar uma fina camada e espera uns 30 minutinhos para que o produto seque, o creme deve ser reaplicado quando esse animal tiver muita exposição à água. Já tem outro tipo de protetor solar que é para pelos. Quando o animal tem um pelo mais curto, mais claro e que permite a passagem da radiação, tem uma versão de protetor em spray, que você vai aplicar sobre todo a parte de pelo do animal que vai ser exposto ao sol, aguarda 30 minutos e reaplicada quando o animal teve muito contato com água.

Em relação a banho e tosa, o que é recomendado e mais adequado?

Em relação ao banho, se o seu animal não tem dermatite, não tem problemas de pele, você pode dar banho semanalmente, com produtos específicos e adequados para não alterar o pH da pele e acabar causando outros danos. Lembrando que dar banho até duas vezes por semana é aceitável em dias mais quentes. E com relação à tosa, é muito importante manter sempre os pelos mais curtos, mas vai depender muito da raça do animal, porque existem tosas para determinadas raças. Alguns animais têm regiões mais predispostas a lesões e o pelo é uma forma de proteção. Lembrando que cada raça vai ter uma tosa específica e o pet shop deve sempre estar atento a isso

No caso de o animal apresentar problema mais sério devido ao calor, o que deve ser feito?

Em qualquer sinal de letargia do animal, de sudorese excessiva, salivação excessiva, diarreia, vômito, queimaduras na pele, qualquer desses sinais o mais indicado é sempre procurar o médico veterinário de confiança, para que ele possa cuidar do animal da forma mais adequada e possa dar as orientações.

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