Pescadores saem de Maceió em busca de trabalho

Após mais de dois meses, pescadores e marisqueiras continuam amargando prejuízos com a proibição do tráfego de embarcações em grande parte da Lagoa Mundaú, por causa das atividades de mineração. Para tentar garantir o sustento das famílias, muitos estão indo pescar em outros municípios da região metropolitana de Maceió.

“Estamos indo pescar em Marechal e Pilar porque a situação ficou insustentável. Temos que correr atrás para pagar nossas dívidas. Pode ser que amanhã a gente tenha uma boa notícia a respeito da Braskem de pagamento, mas, até agora, a gente não tem nenhuma expectativa”, contou o presidente da Colônia de Pescadores da Zona 4, de Bebedouro, Mauro Santos.

Segundo Santos, até o momento, não receberam nenhum auxílio financeiro. “Estamos passando dificuldade porque ficou prometido para ser pago auxílio em dezembro. Já estamos em fevereiro e nada foi feito. Nós tivemos uma ajuda de cesta básica da Prefeitura, em dezembro. De lá para cá, a Prefeitura diz que está aguardando alguma decisão da Braskem. Aí a gente não está recebendo mais nenhum auxílio. Não tivemos nenhuma assistência por parte do Estado até hoje. A gente está sentindo muito a ausência do Estado e do Município nessa parte de ajuda aos pescadores”, disse.

O presidente da Colônia de Pescadores da Zona 4 expõe ainda a preocupação com a situação das minas 20 e 21, que agora são consideradas uma única cavidade e ficam a 700 metros abaixo da superfície da Lagoa Mundaú.

“Isso faz com que os pescadores fiquem aflitos e preocupados. A gente tira o nosso sustento da lagoa, não podemos ficar evacuados da lagoa. Vamos trabalhar como? Como vamos pagar nossas contas? Não estão dando a menor atenção para os pescadores, marisqueiras e suas famílias”, disse.

Por meio de nota, a Braskem informou que “continua em diálogo com as autoridades e representantes de pescadores e marisqueiras, com o objetivo de construir soluções para os profissionais que realizam atividades no perímetro que está interditado da lagoa Mundaú.”

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