Justiça Federal promove o projeto “Vozes: narrativas sociais e diálogos com o Sistema de Justiça”

A Justiça Federal em Alagoas (JFAL) realiza, a partir do mês de março, o projeto “Vozes: narrativas sociais e diálogos com o Sistema de Justiça”. O objetivo é promover a compreensão da realidade social pelos agentes do sistema de Justiça, incentivando juízes, servidores, advogados, defensores públicos, membros do Ministério Público, estudantes e pesquisadores a desenvolverem uma reflexão mais próxima e empática das realidades vividas por pessoas em situação de vulnerabilidade social. A primeira roda de diálogos do projeto acontece no dia 6 de março, às 14h, no auditório da instituição, na Serraria. Abrirá o projeto o grupo de marisqueiras que trabalham na Lagoa Mundaú e as pescadoras.

O coordenador do projeto é o juiz federal Antônio José de Carvalho Araújo, da 9ª Vara Federal. Ele explica que a iniciativa irá possibilitar às pessoas vulneráveis expressarem suas experiências, dificuldades, sofrimentos e esperanças, com a garantia de que suas vozes sejam ouvidas e consideradas. “Queremos possibilitar que as experiências desses grupos sejam integradas na prática jurídica, contribuindo para decisões mais justas e uma sociedade mais inclusiva”, explica. “Queremos que, nesse espaço, esses grupos possam apresentar as suas realidades sociais, os seus anseios, suas dificuldades, detalhes que só conhece quem vivencia essas atividades”, acrescenta o magistrado.

Quem também participa do projeto é a juíza federal Camila Monteiro Pullin, da 8ª Vara Federal. Para ela, a ação aproxima quem realmente precisa do apoio público ao espaço jurídico, quebrando uma barreira social existente. “É importante diminuir essa distância do nosso gabinete, da sala de audiência, para conhecer a realidade das pessoas que buscam a Justiça Federal”, afirmou. Antes de iniciarem o projeto, os magistrados visitaram marisqueiras e acompanharam o exercício de suas atividades na Lagoa Mundaú. Eles também conheceram a Cooperativa de Trabalho da Marisqueiras Mulheres Guerreiras (Coopmaris), que atende profissionais da região lagunar.

Difícil rotina

Na oportunidade, ouviram relatos, como o de Joseane dos Santos, a Geléia. Aos 52 anos de idade, ela disse que trabalha com sururu desde os 16 e relata sua difícil rotina. “Começo a trabalhar às 5h, quando chegam as primeiras canoas com o sururu, e vou até 18h. Todos os dias. Tenho problemas nas mãos, na coluna e, quando buscamos um benefício assistencial do INSS, não somos atendidas porque desconhecem a nossa atividade”, relatou aos juízes.

Quem também falou um pouco sobre a dura realidade dessas trabalhadoras foi a presidente da Coopmaris, Vanessa dos Santos. Segundo ela, a atividade não é valorizada. “Graças às iniciativas da cooperativa, começamos a trabalhar para que as pessoas enxerguem as marisqueiras de outra forma. Trabalhamos de 13 a até 20 horas para enviarmos mariscos aos restaurantes para que as pessoas consumam, mas elas não veem essa realidade” desabafou. Ela considera fundamental a realização do projeto Vozes na Justiça Federal. Para ela, será um grande passo para reduzir essa invisibilidade.

Inscrições

Podem participar das rodas de conversa, servidores e servidoras, advogados e advogadas, defensores e defensoras públicas, estudantes, estagiários e estagiárias, magistrados e magistradas, conciliadores e conciliadoras.

As inscrições serão realizadas através de formulário eletrônico, devendo o participante doar no dia do evento um quilo de alimento não perecível ou um livro de literatura, os quais serão entregues posteriormente a instituições beneficentes. Para participar, os interessados precisam fazer a inscrição, no site da JFAL, no endereço https://www.jfal.jus.br/concursos/eventos-e-cursos/. O evento será transmitido para os servidores das Subseções Judiciárias.

Serão destinadas 60 vagas para servidores/as, magistrados/as, estagiários/as e conciliadores/as; 100 para profissionais graduados; 200 para estudantes.

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