AL reforça combate à dengue com IA e mosquitos modificados

Fonte: Reprodução

O enfrentamento ao Aedes aegypti em Alagoas passou a integrar tecnologias biológicas e digitais para reduzir a transmissão de dengue, zika e chikungunya. O programa reúne armadilhas de campo, leitura por inteligência artificial e a soltura de mosquitos infectados com a bactéria Wolbachia.

Em Arapiraca, o município prepara a implementação da tecnologia Wolbachia, desenvolvida pelo World Mosquito Program e produzida no Brasil pelo Wolbito do Brasil, com execução em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) e o Ministério da Saúde.

A técnica envolve a liberação programada de exemplares do Aedes aegypti inoculados com Wolbachia — chamados de “Wolbitos” — que, ao se reproduzirem com a população local, transmitem a bactéria aos descendentes. Com isso, cria‑se gradualmente uma população de mosquitos incapaz de desenvolver e transmitir os vírus responsáveis pelas arboviroses.

Nesta primeira etapa em Arapiraca serão atendidos 24 bairros prioritários, abrangendo cerca de 118 mil moradores. A secretária municipal de Saúde, Rafaella Albuquerque, destacou que o método é seguro, autossustentável e natural, com eficácia comprovada em várias localidades.

A tecnologia já foi adotada em 15 países e tem mostrado redução média de 85% nos casos de dengue, chegando a 89% de queda em Niterói (RJ).

Paralelamente, o estado amplia a vigilância com ovitrampas — recipientes escuros com água e palhetas de madeira que simulam locais de postura de ovos. Esses dispositivos funcionam como sensores entomológicos, permitindo identificar focos precocemente e orientar ações de controle antes do surgimento de surtos.

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) e o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) capacitaram equipes e estabeleceram diretrizes para municípios com mais de 50 mil habitantes, entre eles Maceió, Arapiraca, Rio Largo, Palmeira dos Índios, União dos Palmares, Penedo, São Miguel dos Campos, Delmiro Gouveia e Marechal Deodoro.

Um dos eixos do programa é substituir a contagem manual das palhetas por ferramentas digitais, como o aplicativo Conta Ovos e o painel BR‑Aedes. Essas soluções usam inteligência artificial e visão computacional para analisar fotos das palhetas recolhidas em campo e calcular em tempo real o Índice de Densidade de Ovos (IDO) da região. Também foram apresentadas as Estações Disseminadoras de Larvicida (EDL), nas quais a própria fêmea carrega o larvicida para criadouros inacessíveis.

Na prática, Coruripe foi o primeiro município alagoano a instalar as armadilhas nas residências; Arapiraca iniciou a distribuição de ovitrampas em 10 bairros estratégicos — entre eles Centro, Brasília, Cavaco, Planalto e São Luiz; e Penedo instalou dispositivos a cada 300 metros em imóveis comerciais e residenciais, com recolhimento das palhetas a cada cinco dias para mapeamento das áreas de maior risco.

A integração entre a inovação biológica, o monitoramento por inteligência artificial e a participação comunitária tem como objetivo criar uma barreira epidemiológica sustentável, reduzir surtos sazonais e diminuir as internações por complicações das arboviroses na rede pública de saúde.

Fonte da matéria: gazetadealagoas.com.br

Compartilhe: