A poeta Ana Maria Vasconcelos tornou-se a primeira escritora alagoana a vencer o Prêmio Oceanos, uma das premiações literárias mais importantes da língua portuguesa. O anúncio foi feito na noite da última terça-feira (9), durante cerimônia realizada na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, onde “Longarinas” (7 Letras) foi eleito o melhor livro de poesia de 2025.
Ao Jornal de Alagoas, Ana Maria contou que recebeu a notícia com surpresa e emoção.
“Para mim era algo impossível. Fiquei extremamente honrada, significa um reconhecimento imenso. Claro que todo prêmio tem sua contingência, outro júri teria outra configuração, mas fico feliz de ter sido este o resultado. É muito importante para o meu estado”, afirmou.
A escritora destacou ainda que a cerimônia foi marcada pela beleza e pela trilha sonora que embalou a noite. “Músicas muito bonitas. O Luca Argel fez um trabalho espetacular”, comentou.
Concorrendo com autores de diversos países lusófonos, as vencedoras receberam R$ 150 mil cada uma. O prêmio também contemplou a escritora Silvana Tavano, vencedora na categoria de romance com “Ressuscitar Mamutes” (Autêntica Contemporânea), obra que aborda relações familiares, memória e o enfrentamento do tempo — narrativa destacada pelo júri como “imaginativa e comovente”.
“Longarinas”, quarto livro de Ana Maria Vasconcelos, reúne poemas que exploram imagens arquitetônicas e corporais, privilegiando a concisão e a observação para tratar da passagem do tempo e da permanência.
O curador do Oceanos no Brasil, Manuel da Costa Pinto, descreveu o livro como “uma poesia que se organiza em torno do mínimo e da observação”. Em 2024, a autora já havia sido semifinalista do prêmio com “O Rosto é uma Máquina Aquosa”.
A edição 2025 do Oceanos avaliou 3.142 obras, publicadas por 488 editoras de países como Brasil, Portugal, Angola e Moçambique. Os finalistas passaram por três etapas de seleção e foram analisados por júris especializados de três continentes, até a definição dos vencedores.





