No início do século XX, quando a eletricidade ainda era uma realidade distante para grande parte do Brasil, um visionário decidiu desafiar as limitações impostas pelo sertão nordestino. Foi assim que nasceu a Usina Hidrelétrica de Angiquinho, inaugurada em 26 de janeiro de 1913, às margens da Cachoeira de Paulo Afonso, no Rio São Francisco. Idealizada pelo empresário Delmiro Gouveia, a obra tornou-se a primeira usina hidrelétrica do Nordeste e uma das pioneiras do país, representando um marco na história da industrialização brasileira.

A construção da usina tinha um propósito bem definido: fornecer energia elétrica para a Companhia Agro Fabril Mercantil, moderna indústria têxtil instalada na então Vila da Pedra, atual município de Delmiro Gouveia, em Alagoas. A eletricidade produzida em Angiquinho também acionava uma bomba responsável pelo abastecimento de água da cidade, localizada a cerca de 24 quilômetros da usina, um feito extraordinário para a época e que simbolizava o avanço tecnológico no sertão brasileiro.

Mais do que produzir energia, Angiquinho representou a visão empreendedora de Delmiro Gouveia, que acreditava no potencial econômico do Nordeste e na força do Rio São Francisco como instrumento de desenvolvimento. A usina permitiu a implantação de uma fábrica de linhas de costura que gerou empregos, impulsionou a economia regional e colocou o sertão alagoano na rota da industrialização nacional, enfrentando inclusive a concorrência de grandes empresas estrangeiras do setor têxtil.

O responsável por esse projeto nasceu na Fazenda Boa Vista, no município de Ipu, no Ceará, em 5 de junho de 1863. Empresário arrojado e considerado um dos pioneiros da industrialização brasileira, Delmiro Gouveia tornou-se um símbolo da capacidade empreendedora nordestina. Sua visão inovadora transformou uma região marcada pelas dificuldades climáticas em um polo industrial, deixando um legado que permanece vivo mais de um século depois.

Atualmente, Angiquinho é reconhecida como um importante patrimônio histórico e turístico de Alagoas. Além de seu valor histórico, o local encanta visitantes pelas belezas naturais do cânion do Rio São Francisco, pelas águas cristalinas e pelas opções de turismo de aventura, como trilhas, rapel, escalada e banhos nas piscinas naturais formadas pelas águas do Velho Chico. O cenário reúne história, natureza e cultura em um dos mais belos cartões-postais do sertão alagoano.

Mais de cem anos após sua inauguração, a Usina de Angiquinho continua sendo lembrada como um dos maiores símbolos da inovação no Nordeste. Sua história demonstra que a ousadia de um empreendedor foi capaz de mudar o destino de uma região inteira e abrir caminho para o aproveitamento do potencial hidrelétrico do Rio São Francisco, que décadas mais tarde daria origem ao complexo da CHESF e ao desenvolvimento energético de grande parte do Nordeste brasileiro.

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