A memória do solo que cede em Maceió e a resistência da terra em Craíbas ganharão expressão na COP30 e na Cúpula dos Povos, em Belém. Duas ativistas alagoanas, Rikartiany Cardoso e Nayara Campos, embarcam com o propósito de romper o silêncio corporativo e posicionar a realidade da mineração no centro do debate sobre justiça climática. Elas carregam consigo a urgência de um estado que vivencia diretamente os impactos do modelo extrativista.

Rikartiany, advogada e integrante da Direção Nacional do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), e Nayara, psicóloga e militante do movimento, personificam a resistência comunitária. Sua participação na Conferência das Nações Unidas não é passiva, mas sim um ato de confronto à narrativa da indústria que busca apresentar a mineração como uma “solução verde” essencial para a transição energética global.

Um ponto central na agenda das ativistas é a presença da Braskem na COP. A empresa, responsável pelo desastre-crime em Maceió decorrente da exploração de sal-gema, representa para o MAM um exemplo de “Captura Corporativa da COP”. Trata-se da tentativa de grandes empresas de mascarar o impacto real de suas atividades, influenciando decisões políticas globais para favorecer seus próprios interesses.

A presença da Braskem na COP é inaceitável. A empresa que causou uma das maiores catástrofes socioambientais urbanas, destruindo bairros inteiros em Maceió e deslocando milhares de famílias, busca agora legitimidade no debate climático. Levaremos a realidade e a demanda por reparação integral para expor o custo humano e ambiental dessa exploração predatória.

A pauta de Alagoas se expande além da capital e participação e construção na Cúpula dos Povos é esencial para essa resistência. A pressão por empreendimentos de mineração em regiões como Craíbas reforça a argumentação do MAM sobre a natureza intrinsecamente destrutiva do modelo extrativista. As ativistas representarão as comunidades que resistem à imposição de projetos, recusando o sacrifício de seus territórios em nome da demanda por minerais.

Elas, conjuntamente com o Movimento, defendem o conceito de Soberania Popular, que estabelece o direito inalienável das comunidades locais, incluindo povos originários, quilombolas e ribeirinhos, de decidir sobre a utilização e preservação de suas terras. A verdadeira transição energética, segundo o MAM, deve ser justa e popular, priorizando a vida e o bem-estar social, e não a mera reprodução das desigualdades e violências históricas do extrativismo.

Além disso, tantos outros e outras filhas da terra de Zumbi e Dandara seguem pra COP30 e a caminho da Cúpula dos Povos, principalmente denunciando, resistindo e se organizando contra o capital mineral.

Na Cúpula dos Povos, um espaço fundamental de articulação da sociedade civil, Rikartiany e Nayara garantirão que a realidade de Maceió e as lutas de Craíbas não sejam invisibilizadas. Elas reiteram que a efetivação da justiça climática exige, fundamentalmente, justiça social e a garantia do direito à existência digna para todos.

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