O Banco Central (BC) do Brasil estuda interligar o Pix a sistemas de pagamentos de outros países e a mecanismos multilaterais globais de pagamentos instantâneos. Segundo a autoridade monetária, a medida tem potencial para reduzir tarifas e ampliar o acesso a transações internacionais.
“Estão em discussão tanto interligações bilaterais como a participação em hubs multilaterais. Essas interligações permitiriam a realização de remessas internacionais e de transações de compra com disponibilização dos recursos em moeda local em poucos segundos”, informa o BC.
A nova agenda de produtos e funcionalidades do Pix foi divulgada nesta segunda-feira (10) no Relatório de Gestão do Pix 2023-2025. O BC também acompanha modelos de transações internacionais com Pix já implementados por empresas nacionais e estrangeiras.
Entre as inovações previstas estão a possibilidade de realizar transações por aproximação offline, sem internet, e o uso do Pix automático como alternativa ao débito em conta.
Banco Central divulgou agenda de novos produtos e funcionalidades do Pix – Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Pix crédito
O BC também avalia integrar o Pix ao mercado de crédito, permitindo o uso dos “fluxos futuros de Pix” como garantias para financiamentos.
“Como resultado esperado, a solução pode contribuir para a melhoria da qualidade das garantias e para a redução do custo do crédito, especialmente para empresas com forte uso do Pix”, destaca o relatório.
Mensagens de texto via Pix
O Banco Central identificou o uso abusivo do campo de mensagens em transações Pix para ofensas, ameaças ou intimidações, muitas vezes associadas a transferências de valor irrisório.
Originalmente, as mensagens foram criadas para registrar informações sobre as transações. Com o uso indevido, o BC criou um grupo de trabalho para discutir alternativas para o campo de mensagens do Pix.
“Com base nas conclusões desse trabalho, o BC avaliará e instituirá, se necessário, medidas regulatórias para coibir o uso inadequado do campo de mensagens”, informa o documento.
Sistema antifraude
O BC prevê oito medidas para reforçar a segurança das transações via Pix. A agenda inclui a criação de “critérios objetivos mínimos” para identificar transações suspeitas de fraude.
“Atualmente, esses critérios ficam a cargo das políticas de cada instituição, o que gera comportamentos heterogêneos e permite que transações de elevado valor fora do horário comercial sejam autorizadas sem avaliação mais cuidadosa”, argumenta o BC.
Entre as novidades está o desenvolvimento de um indicador de “probabilidade de fraude no Pix”, calculado em tempo real pelo BC para todas as transações.
“O modelo será baseado em machine learning [Inteligência Artificial] e disponibilizado às instituições participantes para alimentar seus sistemas antifraude”, explica o relatório.
Outras medidas incluem a padronização obrigatória dos alertas de fraudes, já adotados por algumas instituições financeiras, e o aprimoramento do fluxo de informações para bloqueios cautelares de transações suspeitas.
“A criação de um fluxo direto e automatizado entre as instituições permitirá a troca ágil de informações, facilitando a avaliação e aumentando a assertividade na detecção de fraudes”, diz o BC.
Está prevista ainda a ampliação das medidas cautelares, como a restrição de cadastro de novas chaves Pix, para instituições que representem risco ao sistema de pagamentos.
Alvo dos EUA
O Pix entrou na mira do governo dos Estados Unidos, sendo citado como uma das justificativas para o recente tarifação de 25% sobre produtos brasileiros. A Casa Branca alega que o mecanismo é uma “prática desleal” do Brasil no mercado financeiro, argumento refutado pelo governo brasileiro.
Especialistas ouvidos pela Agência Brasil afirmam que a ação do governo Donald Trump contra o Pix ocorre porque o modelo nacional desafia o controle financeiro de Washington sobre a infraestrutura de pagamentos eletrônicos do Brasil.






