A produção de café e cacau em Alagoas poderá ganhar novos caminhos de crescimento a partir de estratégias inspiradas em experiências bem-sucedidas do Sul da Bahia. Uma missão técnica realizada pelo Sebrae Alagoas na região reuniu práticas de inovação, sustentabilidade, qualidade e agregação de valor que serão adaptadas à realidade dos produtores alagoanos.
As iniciativas passam a integrar o projeto Experimentação Café e Cacau, que busca modernizar o agronegócio, diversificar as atividades no meio rural e ampliar o valor dos cultivos agrícolas no estado.
Entre os principais avanços está a possibilidade de facilitar o acesso dos produtores a análises técnicas de qualidade, sem a necessidade de grandes investimentos em estruturas laboratoriais. Durante a visita ao Centro de Inovação do Cacau (CIC), a equipe conheceu procedimentos que permitem o envio de amostras de amêndoas pelos Correios para avaliação especializada.
A medida poderá ajudar agricultores alagoanos a identificar características de qualidade, produtividade e rastreabilidade da produção e, a partir dos resultados, aperfeiçoar as etapas de cultivo e pós-colheita.
Outro destaque da missão foi a importância da sustentabilidade para a valorização do cacau. A chamada Nota de Sustentabilidade, que considera o nível de responsabilidade socioambiental das propriedades, pode ser determinante para o acesso a mercados mais rentáveis e para a participação em concursos e premiações.
A partir da experiência observada na Bahia, está prevista uma articulação com o Sebrae em Rondônia para conhecer uma metodologia já aplicada naquele estado. O objetivo é adaptar as práticas para Alagoas, especialmente em capacitações relacionadas à fermentação e à secagem, etapas fundamentais para a produção de cacau fino.
Integração
A aproximação entre as cadeias do café e do cacau também aparece como uma oportunidade para aumentar a renda das propriedades. A ideia é estimular a criação de experiências que vão além da comercialização dos frutos, incluindo rotas turísticas, atividades sensoriais e produtos combinados.
No Sul da Bahia, a equipe conheceu propriedades que utilizam o conceito tree-to-bar, modelo que acompanha o cacau desde o cultivo até a transformação em chocolate.
Em Uruçuca, a Fazenda Capela Velha mostrou como a preservação do sistema agroflorestal Cabruca pode ser associada ao turismo pedagógico e à venda direta de chocolates artesanais. O empreendimento recebe cerca de 100 visitantes por dia e utiliza a experiência turística como uma das formas de agregar valor à produção.
Em Ilhéus, a Fazenda Riachuelo apresentou sua estrutura de produção dos chocolates Mendoá. A propriedade possui 1,8 mil hectares de cacau sombreado em área de Mata Atlântica e adota um processo de fermentação de seis dias, além de uma estrutura de grande escala para a secagem das amêndoas.
Tecnologia nas propriedades alagoanas
A experiência também reforçou a necessidade de um pacote tecnológico para tornar a produção de cacau mais competitiva. Entre os pontos observados estão o uso de genética de alta produtividade, adubação adequada, manejo eficiente e cuidados rigorosos no pós-colheita.
A expectativa é que esse conhecimento seja transformado em ações práticas para os agricultores de Alagoas, com orientações técnicas e capacitações diretamente no campo.
Com a conclusão da missão, começam a ser estruturadas novas etapas do projeto Experimentação Café e Cacau. O plano inclui diagnósticos de qualidade, capacitações e criação de oportunidades de negócios voltadas à valorização da produção rural.
A iniciativa pretende, assim, transformar referências já aplicadas na Bahia em soluções para a realidade alagoana, fortalecendo a produção de café e cacau, ampliando a diversificação das propriedades e criando novas possibilidades de renda no campo.






