O que um professor, uma bailarina e um jornalista têm em comum? Durante o ano inteiro, eles se preparam para brilhar nas quadrilhas alagoanas, que circulam o estado e o Nordeste, mantendo viva a cultura e a tradição dos festejos juninos.

Para os integrantes de uma quadrilha junina, o trabalho para o ano seguinte começa em julho, logo após o fim dos festejos. Essas pessoas respiram a cultura popular e destinam um tempo do seu dia ou semana para que o São João de Alagoas exista.

Em meio aos espetáculos, os componentes paramentados, maquiados, nervos antes das apresentações sãio muitas vezes profissionais de outras áreas que encontram na tradição junina um respiro, um alívio e, por vezes, um grito de resistência e amor.

Muito além das danças e músicas, as equipes por trás de cada quadrilha junina são enormes e as agremiações contam com uma logística que é aprimorada ano após ano.

Evandro Coelho, professor durante o expediente e diretor administrativo da Luar do Sertão durante todo o dia, explica que além da direção principal, existem vários núcleos, como o marketing, mídias digitais, coreografia, figurino, beleza e outros.

São essas pessoas que começam a trabalhar muito antes dos ensaios com música e dança. “Assim que se encerra um ciclo junino, o outro já se inicia na busca de novas músicas, novos passos e ,principalmente, na busca de aporte financeiro e monetário para que o espetáculo continue existindo no ano que vem”, explica Coelho.

A bailarina e coreógrafa Marília Gonçalves, está há 12 anos participando de quadrilhas juninas e contou que é até simples participar de uma agremiação, mas é necessário ter compromisso e vontade de fazer o São João acontecer para muito além do mês de junho.

De acordo com ela, principalmente nas quadrilhas da capital, basta procurar as quadrilhas, geralmente na época em que os ensaios estão começando, por volta de outubro e novembro. A bailarina faz parte da direção e do núcleo de coreografia da quadrilha Santa Fé e também faz coreografias pequenas, como dos noivos, para outras juninas.

“Hoje a quadrilha virou uma coisa de grande porte, envolve logística, envolve dinheiro, premiações, toda vez que a quadrilha vai se apresentar tem um custo de transporte, não só dos componentes, mas também da produção, do cenário”.

Ela relata também que, apesar do esforço para realização de um espetáculo grandioso e à altura da tradição junina, por vezes os componentes se deparam com locais inadequados, enlamecidos pelas chuvas de junho, mesmo que todos saibam que esse período é de chuvas no estado. “Não há esse cuidado com a cultura em todos os locais. Deveria ter mais”.

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