Entre a diversidade de pessoas que passam pelo Centro de Maceió todos os dias, existem aqueles que veem nessa movimentação o seu ganha-pão, que é o caso dos vendedores ambulantes. Tendências mudam, os gostos se transformam e tudo se transmuta, e eles estão sempre lá, prontos para acompanhar estas metamorfoses, ainda que muitas vezes passem despercebidos aos olhos apressados dos transeuntes.

Foi com este olhar poético que a egressa do curso de Design da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Natália Alencar, retratou a realidade desses profissionais no seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), intitulado “O vendedor ambulante no ambiente de comércio: livro ilustrado acerca da vivência no mercado informal do centro de Maceió”, que agora se transformou em livro físico e está pronto para ser lançado.

Com uma história lúdica e livre para todas as idades, o livro é um convite a adentrar na realidade daqueles que saem de casa todos os dias para o bairro mais movimentado da cidade, sempre prontos a atender a população, através das cores, imagens e do design.

“Da pesquisa ao gesto de amor à cidade”

A egressa contou que desde que começou a idealizar seu TCC sabia que fosse conectado à cidade e se ligasse a ela. Mais que um trabalho da graduação, ela queria que sua pesquisa fosse um gesto de amor à cidade.

“O ambiente do Centro é um ambiente que eu gosto muito de estar. Andar, para mim, é muito importante na minha vida pessoal mesmo. O Centro é um dos lugares da cidade que são mais interessantes de andar, de você ver as pessoas, ver a vida acontecendo, que tem interessância mesmo. Por exemplo, a gente tem uma orla que tem um apelo muito grande, tem beleza natural, mas o Centro tem muito mais riqueza social e criativa”, ressaltou.

E ela percebeu, com autenticidade, que a história do centro era intrínseca à presença dos vendedores ambulantes. E afirmou que a presença deles neste local histórico é resistência, devido às fortes lutas que enfrentam para se manter e comercializar.

“Achei interessante trazer os vendedores informais no meu trabalho, justamente por causa das investidas que eles sofreram ao longo dos anos. Eles ficam muito à mercê de cada gestão. Atualmente é uma gestão que vem sendo solidária com eles. Fez uma organização espacial que era uma reclamação muito grande, por exemplo, dos vendedores que têm pontos físicos em lojas. Mas o Brasil é um país que tem uma diversidade econômica, uma desigualdade econômica muito grande, nem todo mundo consegue comercializar com pontos físicos. E, como o centro é um espaço grande, um espaço público, eu acredito que é para todos, para quem quiser e puder comercializar. É um ambiente que deve abraçar essas pessoas e ter uma organização por meio do poder público, para que aconteça tudo da melhor forma para todos”, contextualizou.

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