Maria Marluce Caldas Bezerra é uma jurista e magistrada brasileira, atualmente ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Naturalmente ligada a Alagoas, construiu uma trajetória marcada pela dedicação ao Ministério Público, à educação e à defesa dos direitos humanos. Nascida em 24 de maio de 1959, no Rio de Janeiro, Marluce é filha do agricultor Espedito Silva e da professora Quitéria Caldas. Ainda bebê, retornou com a família para o povoado de Canastra, no município de Ibateguara, onde foi criada.

Desde cedo, demonstrou grande dedicação aos estudos, incentivada pela mãe, mudando-se posteriormente para Maceió para estudar no tradicional Colégio Bom Conselho.

Sua vida profissional começou muito cedo. Aos 18 anos, tornou-se professora da rede estadual de ensino, atuando justamente na escola onde estudou. Paralelamente, trabalhou como escrevente de cartório em Ibateguara. Em 1978, ingressou no curso de Direito da Universidade Federal de Alagoas, formando-se em 1982. Após atuar como advogada nas áreas cível e criminal, ingressou no Ministério Público do Estado de Alagoas em 1986, iniciando uma longa carreira no serviço público.

Ao longo das décadas, trabalhou em diversas comarcas alagoanas, destacando-se nas áreas criminal, eleitoral, infância e juventude, execução penal, patrimônio público e direitos humanos. Foi pioneira ao se tornar a primeira promotora mulher a participar de um júri popular em Maceió. Além da atuação no Ministério Público, exerceu cargos no governo de Alagoas, como secretária de Estado de Emprego e Renda e secretária da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos. Também participou das discussões nacionais que contribuíram para a criação da Lei Seca no Brasil. Com forte ligação à educação, Marluce lecionou disciplinas jurídicas e participou da fundação do núcleo de pesquisa jurídica do CESMAC, tornando-se referência acadêmica e institucional em Alagoas.

Especializou-se em Direito Constitucional e Processual. Em 2021, foi promovida ao cargo de procuradora de Justiça, tornando-se a primeira mulher a atuar em sessão da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Alagoas. Em 2025, foi indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ocupar uma cadeira no STJ, sendo aprovada por unanimidade pelo Senado Federal e tomando posse em setembro do mesmo ano.

Tornou-se a 10ª mulher ministra do STJ e a primeira oriunda de um Ministério Público Estadual a chegar à Corte. Sua trajetória é reconhecida pela firmeza, competência jurídica e compromisso com a justiça social, consolidando seu nome como uma das personalidades mais importantes do Judiciário brasileiro contemporâneo.

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