Imagine uma viagem por Alagoas em que cada parada revela uma parte diferente da história do estado. Em uma cidade, igrejas e casarões preservam a arquitetura colonial. Em outra, o Rio São Francisco acompanha a paisagem. Mais adiante, montanhas, natureza e antigos caminhos ajudam a contar histórias que atravessam gerações.
Essa experiência acaba de ganhar um novo impulso com a criação oficial da Rota Turística das Cidades Coloniais Alagoanas. Instituída pela Lei Federal nº 15.444, sancionada em 26 de junho de 2026, a rota reúne sete municípios: Marechal Deodoro, Penedo, Piranhas, Delmiro Gouveia, União dos Palmares, Porto Calvo e Água Branca.
Mais do que criar um nome para um conjunto de destinos, a legislação estabelece uma estratégia de turismo regional. A proposta prevê o fortalecimento do turismo histórico, de natureza e de aventura, além do apoio de programas oficiais voltados à regionalização do setor.
Uma viagem por diferentes Alagoas
O grande diferencial da nova rota está justamente na diversidade.
Em Marechal Deodoro, primeira capital de Alagoas, a viagem começa entre igrejas, casarões e conjuntos arquitetônicos que preservam marcas do período colonial. O município combina patrimônio histórico com praias, lagoas e áreas naturais, criando uma transição entre cultura e natureza.
Em Penedo, o Rio São Francisco se transforma em parte fundamental da experiência. A cidade reúne um dos conjuntos históricos mais importantes do estado, com construções que remetem aos séculos XVII e XVIII.
Seguindo para o sertão, Piranhas apresenta outra paisagem. O casario histórico se encontra com o Velho Chico e com os paredões dos cânions, criando um dos cenários turísticos mais conhecidos do interior alagoano.
A rota também passa por Delmiro Gouveia, município que carrega uma forte relação com a história econômica e industrial do sertão e funciona como porta de entrada para experiências ligadas à natureza.
Em União dos Palmares, o turismo ganha uma dimensão histórica ainda mais profunda. A Serra da Barriga está diretamente relacionada à memória do Quilombo dos Palmares e à trajetória de resistência da população negra no Brasil.
Já Porto Calvo leva o visitante a outro capítulo da história alagoana, enquanto Água Branca, situada em uma área de relevo diferenciado no sertão, acrescenta arquitetura, paisagens e cultura ao percurso.
Mais do que sete destinos
A criação da rota pode mudaria maneira como o visitante organiza uma viagem por Alagoas.
Em vez de escolher apenas uma cidade e retornar à capital, o turista passa a ter um roteiro que pode ser construído em etapas, combinando patrimônio histórico, natureza, gastronomia e atividades ao ar livre.
Essa lógica também interessa aos próprios municípios. Quando destinos trabalham de maneira integrada, o visitante tende a permanecer mais tempo na região e distribuir seus gastos entre hospedagem, restaurantes, comércio, guias, passeios e outros serviços.
A nova legislação determina justamente que a estruturação, a gestão e a promoção dos atrativos da rota recebam apoio de programas oficiais destinados ao fortalecimento da regionalização do turismo.
Um roteiro que pode mudar o mapa turístico do estado
Alagoas já é reconhecida nacionalmente pelas praias e piscinas naturais. A nova rota, porém, aposta em outro patrimônio: aquele construído ao longo de séculos de ocupação, disputas, manifestações culturais e transformação da paisagem.
O resultado é um roteiro que conecta diferentes regiões do estado sem apagar as características próprias de cada município.
Para quem visita Alagoas, a proposta abre uma possibilidade diferente: trocar a ideia de uma viagem com destino único por uma jornada de descobertas.
E, para quem vive no estado, pode ser a oportunidade de redescobrir lugares que sempre estiveram por perto, mas que agora passam a fazer parte de uma mesma história turística.
A nova rota não cria apenas um caminho no mapa. Ela cria uma nova maneira de contar, e de conhecer Alagoas.






