Disputa pelo tráfico expõe a engrenagem de grupos Neutros em Alagoas

Fonte: Reprodução

Em 3 de dezembro de 2025, a técnica de enfermagem Valéria Tavares, de 40 anos, foi morta a tiros à luz do dia no bairro Chã da Jaqueira, em Maceió. Após três dias desaparecido, Josemir, conhecido como Riquinho, foi encontrado morto em 21 de junho de 2025 após autorização de criminosos para buscar o corpo em uma mata na Grota Santa Helena, também na capital.

No litoral sul de Alagoas, o mototaxista Erick Costa foi executado em 14 de julho de 2026, em um ponto de apoio, em Coruripe. À primeira vista, os casos parecem não ter relação, mas há um elo: os chamados Neutros, grupos independentes que não se identificam nem com o Comando Vermelho (CV) nem com o Primeiro Comando da Capital (PCC), disputando espaço com facções já estabelecidas, principalmente o CV.

Segundo a Polícia Civil de Alagoas (PCAL), há indicativos de ampliação da influência dos Neutros na Grota Santa Helena, com registros de 10 homicídios e três tentativas de março de 2025 até o momento atribuídos ao grupo na região.

Em Coruripe, a atuação dos Neutros levou à prisão de quatro pessoas apontadas como braços armados do grupo, além de um adolescente morto em confronto com a polícia neste ano, conforme dados da polícia local.

A estrutura interna do grupo apresenta divisão de tarefas, com liderança identificada, mas que é dinâmica e pode mudar com prisões, mortes ou rompimentos internos. O chefe do tráfico, por exemplo, continua a comandar ações de dentro da prisão, enquanto o gerente operacional testemunhou uma tentativa de homicídio praticada por membros do próprio grupo.

Apesar de não serem classificados como facção pela SSP, os Neutros são descritos como criminosos independentes ou ex-integrantes do PCC e do CV, com atuação voltada principalmente ao tráfico de drogas e, em menor escala, lavagem de dinheiro. A pasta aponta que o cenário atual reflete tentativas de presença do CV em áreas já ocupadas pelos Neutros.

O delegado Lucimério Campos destaca que o principal risco é o impacto sobre moradores, com aumento na circulação de armas e maior probabilidade de homicídios e ataques, especialmente em regiões como Santa Helena, onde há operações de inteligência para restabelecer a ordem. A investigação aponta para uma rede de informantes que dificulta a atuação policial, além das rotas de fuga e do relevo geográfico da área.

Fonte da matéria: gazetadealagoas.com.br

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