Em um momento em que a pecuária brasileira é pressionada a produzir mais, com menos recursos e maior rigor técnico, Maceió/AL se reposiciona como um dos principais pontos de convergência do setor. Nos dias 23 e 24 de abril, o Centro de Convenções da capital recebe o Encorte 2026, reunindo produtores, especialistas e empresas em torno de um eixo central: eficiência produtiva baseada em gestão, tecnologia e informação.
Mais do que um encontro tradicional, o Encorte se consolida como uma plataforma de análise aplicada, conectando quem já produz à soluções que estão transformando a realidade dentro das fazendas. Entre os destaques da programação está o avanço do confinamento, que ganha espaço como estratégia produtiva e entra como novidade no evento deste ano. Especialistas e produtores irão compartilhar cases de sucesso, demonstrando na prática como a técnica tem contribuído para ganhos de eficiência. Ao mesmo tempo, a pecuária a pasto segue como pilar importante, mostrando que diferentes modelos podem coexistir com alta performance quando aliados à boa gestão.
O evento também traz para o centro do debate os impactos da reforma tributária sobre o agro. Com a transição iniciada em 2026, produtores terão acesso a análises técnicas sobre o novo cenário e os caminhos para adaptação. Outro ponto crítico abordado será a gestão de pessoas no campo. Dados da última edição da Expedição Encorte apontam que 75% dos produtores identificam a falta de mão de obra qualificada como um dos principais desafios da atividade, enquanto poucos possuem programas estruturados de capacitação. O tema será tratado com foco em soluções práticas, incluindo estratégias de formação e retenção de equipes.
No campo da inovação, tecnologias como pesagem de animais por imagem, softwares de gestão e sistemas integrados de monitoramento serão apresentados como aliados estratégicos para uma pecuária mais eficiente e orientada por indicadores. “O grande ponto hoje não é mais discutir se a tecnologia vai chegar à pecuária, ela já chegou. O desafio é como transformar dado em decisão e decisão em resultado. O produtor que não tiver controle sobre custo, ganho por área e eficiência alimentar vai perder competitividade rapidamente. O Encorte traz exatamente uma leitura clara do que já está funcionando dentro das fazendas que operam acima da média”, destaca Marcelo Araújo, diretor do evento.
Segundo ele, o encontro também cumpre o papel de reduzir a distância entre teoria e prática no campo. “A gente estruturou uma programação que não fica no conceito. São produtores mostrando número, processo, erro e acerto. Quando você coloca lado a lado quem ainda está começando e quem já produz 20, 25 arrobas por hectare, você cria um ambiente real de evolução. O conhecimento precisa ser aplicável, senão ele não transforma a atividade”, pontua.
A iniciativa também reforça o protagonismo do Nordeste na pecuária de corte. Ao contrário de percepções antigas, a região vem registrando avanços significativos em produtividade. Enquanto a média nacional ainda é considerada baixa, já existem produtores nordestinos alcançando índices superiores a 25 arrobas por hectare — resultados que serão apresentados e analisados durante o encontro.
“O Nordeste hoje já tem exemplos consistentes de eficiência produtiva. O que a gente quer é dar visibilidade a esses casos e mostrar que não é exceção, é método. Quando existe gestão de pasto, controle nutricional, planejamento financeiro e uso de tecnologia, o resultado aparece. O Encorte também é sobre reposicionar essa percepção da pecuária nordestina”, reforça Araújo.





