“Contra a correnteza, estou seguindo no mar; segurando minha luz, sozinho a navegar.” […] É com esse espírito que a banda Lieko segue agitando, tocando e vivendo ao longo desses quase 10 anos de estrada.
A banda de rock alternativo, oriunda de Maceió, Alagoas, formada por Nivaldo, Gabriel, Igor e Cadu mostra, por meio de suas composições, riffs e batidas, a sua intensidade emocional, misturando caos e delicadeza.
Inicialmente formada por Nivaldo e Gabriel, o grupo passou por algumas mudanças na formação até chegar aos quatro integrantes atuais. Desde 2017, a banda mantém vivo o sonho artístico que vem conquistando cada vez mais pessoas na cidade de Maceió.
Ao longo dessa trajetória, a Lieko lançou single e EPs como Alvorada (2018), Horizonte (2018), Pressa (2018), Na Correnteza (2022), Deusa (Vertuno) (2023), Dessa Vez (2024) e o álbum Tanto Quanto (2025), sendo este o maior projeto do grupo, até então.
O cenário artístico de Maceió vem mudando significativamente, o que permite à banda ganhar projeção. A cidade tem uma mistura de gêneros musicais, o que evidencia uma diversidade musical, que faz o rock não ter muito espaço, aparentemente.
No entanto, casas de show como o Clube Fênix, Quintal da Hop e Rex Jazz Bar fomentam essa diversidade, o que não é diferente com o gênero rock. De acordo com os próprios integrantes da Lieko, o sentimento é de que a cidade vem abraçando o ritmo musical e consequentemente, a própria banda.
Confira a entrevista
Como surgiu a idealização da Lieko?
Eu e Gabriel tínhamos uma banda de escola em 2013 e depois fomos morar juntos na época da faculdade, em 2015. Eu já tinha a ideia de querer fazer uma banda com ele, porque era basicamente o que conversávamos boa parte do tempo. Depois que definimos o nome, chamei o Gabriel em 2017 e aí as coisas foram acontecendo. (Nivaldo)
Todos os integrantes são os mesmos desde 2017?
Na versão curta, não. Apesar de o Nivaldo ser o único vocalista e eu o único baterista a compor a Lieko, houve algumas mudanças. Na versão longa da resposta é que teoricamente, só o Nivaldo. A primeira formação éramos nós dois, o Racheti (guitarra) e o Diogo (baixo). O Diogo saiu com uns 2 meses eu acho, e aí quando estávamos gravando o EP “Alvorada”, o Berloffa entrou no baixo. Em 2020, quando eu e Nivaldo voltamos para Maceió, o Racheti e o Berloffa saíram da banda. Lá pra 2022, eu “saí” para focar na faculdade, mas ainda gravei o Tanto Quanto e só em 2023 que foi a minha despedida oficial, abrindo o show do Supercombo, quando o Nivaldo decidiu voltar para São Paulo. Lá (em São Paulo), o Racheti voltou para a banda e ficaram só os dois até o Nivaldo voltar (de novo) para Maceió em 2025, e aí sim eu voltei pra Lieko e o Igor entrou no baixo (curiosamente, ele tinha tocado com a gente em 2023 no show do Supercombo). O Cadu entrou na Lieko alguns meses depois. (Gabriel)
Não, os únicos integrantes originais sou eu e o Gabriel. Gabriel chegou a sair em 2020 ou 2021 (não lembro agora), mas continuou fazendo as coisas comigo. Me mudei no final de 2023 e, quando voltei para Maceió no final de 2024, Gabriel ficava falando o tempo todo que topava voltar com a banda, porque, até aquele momento, a banda tinha “acabado” ou pelo menos entrado em um longo hiato, e acabou rolando de voltarmos. Apesar da distância, Victor Racheti, guitarrista original da banda, ainda estava participando, mas, devido à distância, decidimos que era melhor encerrar as atividades com ele. Chamamos o Igor, porque ele já tinha feito um show com a gente abrindo para o Supercombo em 2022 ou 2023 (também não lembro agora, kkkkkk). Ficamos como um trio até o final de 2025, basicamente. Cadu, literalmente, me mandou uma mensagem no Instagram perguntando se tinha vaga para guitarra, pois ele sabia que a banda sempre foi planejada para ser um quarteto, e claro que aceitamos. Ficamos super felizes, porque toda vez que ensaiávamos, falávamos da falta de outra guitarra, e está assim desde então. (Nivaldo)
Como a Lieko continua na estrada, mesmo em uma cidade (Maceió) que não tem muito apoio para um gênero como o rock?
Cara, eu sinto na verdade que Maceió é uma cidade que fomenta todos os gêneros musicais se você procurar bem, mas existe uma certa timidez talvez das pessoas em correr atrás disso. O rock alagoano especificamente sempre teve alguns nomes muito bons, e hoje eu sinto que a cena local continua trazendo ótimas bandas. Pessoalmente, pra mim, a Lieko continua na estrada pelo amor que nós temos por escrever músicas e tocar. (Gabriel)
Felizmente, a cena daqui é bem viva e as bandas são bem amigas. Apesar da “falta de incentivo” da cidade, existe um público e ele cresce cada vez mais. Me sinto feliz, pois todo show que a gente faz tem mais gente. Existe um espírito coletivo na cena do rock autoral alagoano, coisa que eu não via em São Paulo, por exemplo. Eu sinto que a cidade sente falta de bandas autorais; todas as vezes que fomos para a TV ou à rádio, fomos extremamente bem recebidos e sempre falam como sentem falta de bandas do gênero. Sinto que o crescimento vem rolando e que o mainstream é só uma questão de alguma música sair da bolha, mas sinto que todos recebem bem as bandas. (Nivaldo)
Vocês sentem algum tipo de preconceito por causa do gênero ou pelo fato de decidirem ir para o meio artístico?
Eu não. Se um dia senti, sinceramente não lembro, mas não acho que valha à pena ficar se preocupando com isso. (Gabriel)
Todos os integrantes “ganham a vida” com a música?
Não. Atualmente, o que acontece é: a gente consegue não ter prejuízo e o lucro é bem pouco. E tudo o que a gente faz de lucro, voltamos para ser investido na banda. Mas está bem melhor que antigamente, que era zero reais. Todos nós temos outras profissões e estudamos. (Nivaldo)
Qual o momento mais desafiador para a Lieko?
Para mim, acredito que foi quando todo mundo saiu e só fiquei eu. Acredito fielmente nas músicas da banda e no trabalho coletivo; não gosto de fazer as coisas de maneira solo, acho que a música sempre é mais divertida no coletivo, tocando com seus amigos. E foi nesse momento que fiquei sem saber o que faria, porque isso não é um projeto solo. No fim das contas, voltei para Maceió, Gabriel voltou para a banda e deu tudo certo. Me sinto feliz de tê-los comigo e também de não termos desistido. (Nivaldo)
Quem é a pessoa responsável pelas composições?
Não existe exatamente um responsável. Normalmente, o Nivaldo vem com ideias iniciais e a gente desenvolve juntos. Como é um trabalho colaborativo, a gente vai fazendo o que acha que vai ficar legal nos nossos instrumentos e fica dando pitaco nos dos outros até chegarmos todos a um consenso. (Gabriel)
Sou eu. Geralmente faço as canções em algum canto e trago para a banda. Às vezes são pedaços, riffs, alguma letra solta, e às vezes, ela pronta. Mas o esqueleto geralmente sou eu e a banda dá a cara para a canção. A música é da banda, somos todos responsáveis, no fim são os quatro ali, é a Lieko. (Nivaldo)
De onde vem a inspiração para compor?
Falando por mim, de todo canto. Eu acho que todo bom músico tem que escutar de tudo. Tem algumas baterias que são inspiradas em forró, metal, maracatu, rock japonês e até na Shakira. (Gabriel)
De todos os lugares, tudo, Deus… (Igor)
“Tanto Quanto” seria o maior ou melhor trabalho de vocês até agora?
Definitivamente é o maior, mas não sei dizer se é o melhor, afinal também tenho muito carinho pelo “Alvorada”. Geralmente eu percebo um feedback maior nos shows durante as músicas do “Tanto Quanto”, mas a segunda faixa do “Alvorada”, “Nunca Mais”, é sempre divertida de tocar e sempre resulta em algum comentário do público. Tenho muito orgulho de tudo o que lançamos até agora. (Gabriel)
Sim, tanto em números quanto em qualidade. O impacto que ele teve foi a maior coisa que a gente fez até então. Felicidade completa ver esse trabalho vendo a luz do dia, porque estávamos fazendo as músicas desde 2018. Por exemplo, “Último Cigarro” foi feita junto com o nosso primeiro EP, “Alvorada”; assim que saímos do estúdio, começamos a ensaiá-la. E a última música gravada foi, literalmente, a primeira música do álbum: “De Uma Vez Por Todas”. Tínhamos todo o instrumental e eu fiz a letra, acho que, três dias antes de gravarmos, ainda no segundo semestre de 2025. (Nivaldo)
Um foco das letras da banda é abordar as complexidades da vida adulta, vocês cantam o que vivem ou cantam de forma objetiva?
Os dois, em partes. Tudo o que lançamos até agora ressoa muito com nossas vidas pessoais, mas é aquela história né, nenhuma experiência é completamente individual. De vez em quando alguém fala comigo sobre sua interpretação da música “Deusa (Vertuno)” por exemplo, e eu acho muito massa escutar as formas que o refrão tocou as pessoas baseado no que elas mesmas viveram. (Gabriel)
Sim, tudo o que eu escrevi foi de alguma forma vivido ou sentido muito fortemente. Geralmente, as canções que eu faço são bem baseadas na minha vida. Mas quero, num futuro, fazer quem sabe de uma forma que não seja sobre mim. Contando a história de alguém ou inventando alguma (risos). (Nivaldo)
A faixa ‘Despedida’ revela isso?
Sim, “Despedida” fala sobre a saída do guitarrista da banda, Victor Racheti. Muita gente acha que é sobre algum término amoroso, mas é sobre como eu achava que isso não ia acontecer. Acho que esse é só mais um ponto de vista da música; cada um pode ter o seu e sentir da sua maneira. (Nivaldo)
Qual a maior referência, como banda, para a Lieko?
Esta é uma pergunta difícil, até porque eu acredito que a resposta foi mudando com o tempo. Citando algumas temos Foo Fighters, Linkin Park, Supercombo e South Arcade, por exemplo. (Gabriel)
E referência para cada instrumentista e vocal?
Guns N’ Roses, Mötley Crüe, Matanza e John Mayer. (Cadu)
Tem uma música específica que eu considero que revolucionou o meu estilo de tocar, “Alones” do Aqua Timez (que foi uma abertura de Bleach). Falando de bateristas, meu primeiro grande ídolo bateristico foi o Travis Barker (Blink-182, +44, Box Car Racer, MGK), depois veio o Jimmy “The Rev” Sullivan (Avenged Sevenfold), e hoje em dia é o Thomas Lang (estúdio / instrutor). Isso sem contar os inúmeros bateristas que foram agregando no processo. (Gabriel)
Qual a música (autoral) mais mostra a identidade da Lieko?
“De uma Vez por Todas” ou “Na Correnteza”. Acho que elas mostram bem nosso estilo de composição e nossas referências. (Gabriel)
Um sonho para a Lieko?
Lollapalooza ou Rock in Rio. Individualmente, eu ia achar muito massa aparecer em algum daqueles canais de YouTube que entrevistam os ‘bateras’ e vão intercalando com eles tocando. (Gabriel)]
Fonte : Cada Minuto





