“Não se trata de uma feira que se estabeleceu numa cidade. Mas uma cidade que se formou em torno de uma feira”. A frase de Hermeto Pascoal cai quase como uma descrição da origem de Arapiraca, que teve como principal impulsionador para o desenvolvimento a sua propensão para o comércio.

Antes mesmo de ser emancipada, lá pelos idos de 1884, a cidade dava início ao que já foi considerada a maior manifestação cultural do Agreste: a feira livre. Arapiraca ainda era povoado, mas já dava indícios de crescimento, principalmente com o advento da Cultura Fumageira. E foi a feira livre de Arapiraca uma das principais influenciadoras do processo de emancipação.

Em 1920, segundo o historiador Zezito Guedes, a feira de Arapiraca já superava, em renda, a feira de Limoeiro de Anadia, cidade a quem pertencia antes de sua emancipação. A partir daí se deu início o movimento pedindo a separação, que só se deu em 1924.

Todas as segundas-feiras, as principais ruas do centro da cidade viravam um caos, numa mistura de comércio, arte e cultura. Eram centenas de bancas vendendo os mais diversos tipos de produtos.

Uma das ruas mais movimentadas era a 15 de Novembro. Milhares de pessoas dos quatro cantos do estado (e as vezes até de fora) passavam pelo local para comprar frutas, verduras, carnes, roupas, utensílios para o lar e até para negociar.

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