A história da Casa dos Velhinhos de Arapiraca, oficialmente denominada Associação de Assistência São Vicente de Paulo, é um dos mais belos exemplos de solidariedade e compromisso social do Agreste alagoano. Ao longo de mais de cinco décadas, a instituição transformou a vida de centenas de idosos, oferecendo acolhimento, cuidado, respeito e a oportunidade de envelhecer com dignidade.

Uma resposta ao abandono dos idosos

No final da década de 1960, Arapiraca vivia um intenso crescimento econômico impulsionado pela agricultura e consolidava-se como cidade-polo do interior de Alagoas. Esse desenvolvimento, porém, também revelou um grave problema social: o aumento do número de idosos abandonados, muitos deles sem condições financeiras, sem vínculos familiares ou oriundos de municípios vizinhos em busca de assistência.

Naquele período, praticamente não existiam políticas públicas voltadas ao atendimento da população idosa. Sensibilizado com essa realidade, o médico Dr. José Fernandes de Lima reuniu um grupo de cidadãos comprometidos com o bem comum para criar uma instituição que garantisse proteção, assistência à saúde e qualidade de vida àqueles que mais necessitavam.

Assim, em 31 de agosto de 1968, nasceu a Associação de Assistência São Vicente de Paulo, nome sugerido pelo Cônego Américo Henrique dos Santos (Padre Américo), inspirado nos ideais de caridade e serviço ao próximo que marcaram a vida de São Vicente de Paulo.

Uma obra construída pela união da comunidade

A fundação da instituição contou com a participação de importantes nomes da sociedade arapiraquense, entre eles o professor Manoel de Oliveira Barbosa, professor Pedro de França Reis, José Mota, Pedro Cavalcante, Antônio Ventura, Adalberto Rocha, Francisco Pereira Lima e diversos outros colaboradores que abraçaram a causa.

A organização da entidade recebeu importante contribuição da assistente social Iolanda Gouvêa Moreira, enquanto a elaboração do estatuto ficou sob a responsabilidade do advogado Dr. Geraldo Lima e Silva e do juiz de Direito Dr. Ivan Vasconcelos Brito.

Reconhecida posteriormente como entidade de utilidade pública municipal e federal, a instituição consolidou-se como referência no acolhimento humanizado de idosos em Alagoas.

Uma trajetória marcada por grandes conquistas

Poucos meses após sua fundação, em 24 de outubro de 1968, foi lançada a pedra fundamental da futura sede da instituição pelo Dom Sebastião Baggio, então Núncio Apostólico no Brasil, em terreno doado pelo prefeito João Lúcio da Silva.

Em 14 de novembro de 1968, a entidade foi oficialmente declarada de utilidade pública municipal.

As obras da sede tiveram início em março de 1969, sob responsabilidade do engenheiro Dr. José Lira e do mestre de obras Januário Leite.

Finalmente, em 8 de abril de 1973, foi inaugurado o prédio que passaria a abrigar os idosos, em cerimônia presidida por Dom José III, bispo da Diocese de Penedo.

Na mesma ocasião, a antiga empresa telefônica TELESA, representada por Dr. Geraldo Lúcio da Silva e João Antônio da Silva, instalou a primeira linha telefônica da instituição, fortalecendo sua estrutura administrativa.

A missão das Irmãs Claretianas

Em 5 de maio de 1974, a Casa dos Velhinhos viveu outro importante momento de sua história com a inauguração da residência destinada às religiosas da Congregação das Missionárias de Santo Antônio Maria Claret.

A cerimônia contou com a presença da fundadora da congregação, Madre Leônia Milito, além de Madre Tarcísia, Irmã Dalva, Irmã Iracy e Irmã Nívia.

Durante 21 anos, as Missionárias Claretianas desempenharam papel fundamental na administração da instituição, oferecendo assistência espiritual, humana e social aos idosos acolhidos. Antes da chegada das religiosas, a direção da entidade era conduzida diretamente pelo Dr. José Fernandes de Lima e pelo professor Manoel de Oliveira Barbosa.

O legado de José Fernandes de Lima

Visionário e profundamente comprometido com a causa, Dr. José Fernandes de Lima presidiu a instituição durante 22 anos consecutivos, dedicando grande parte de sua vida ao fortalecimento da Casa dos Velhinhos.

No início da década de 1980, percebendo a necessidade de um espaço adequado para celebrações religiosas e encontros comunitários, financiou com recursos próprios a construção do auditório da entidade, utilizado até hoje para missas e eventos voltados aos idosos e à comunidade.

Mesmo após deixar a presidência por questões de saúde, continuou acompanhando e apoiando a instituição até seu falecimento, ocorrido em 5 de outubro de 2006. Seu corpo foi velado na própria Casa dos Velhinhos, numa demonstração do carinho e reconhecimento de toda a comunidade por aquele que foi seu maior idealizador.

Uma história que continua sendo escrita

Em 2008, a instituição comemorou seus 40 anos de existência, celebrando uma trajetória construída com trabalho voluntário, solidariedade e amor ao próximo.

Três anos depois, em 2011, lançou a campanha de sócios contribuintes e voluntários, ampliando a participação da sociedade na manutenção da entidade.

Ao longo de sua história, outro grande protagonista foi o professor Manoel de Oliveira Barbosa, que durante 38 anos dedicou-se diariamente aos serviços administrativos e burocráticos da instituição, tornando-se um verdadeiro símbolo de compromisso e dedicação.

Solidariedade que mantém viva a missão

Atualmente, a Casa dos Velhinhos continua desempenhando um papel essencial na assistência à pessoa idosa, mantendo-se graças à colaboração da comunidade, de sócios contribuintes, voluntários, doações de alimentos, produtos de higiene, fraldas geriátricas, enxovais, recursos financeiros e parte da contribuição previdenciária dos próprios residentes.

Mais do que uma instituição de acolhimento, a Casa dos Velhinhos tornou-se um patrimônio humano e social de Arapiraca. Sua história demonstra que a união da comunidade é capaz de transformar vidas e garantir que aqueles que tanto contribuíram para a construção da sociedade possam envelhecer cercados de respeito, cuidado e dignidade.

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