A história do jornalismo social em Arapiraca tem em Jandira Leão um de seus nomes mais importantes. Servidora pública exemplar, colunista social respeitada e atuante nas causas comunitárias, ela construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com a informação, pela valorização das pessoas e pela dedicação ao serviço público. Mesmo após seu falecimento, seu nome permanece como referência para a comunicação social e para a história da cidade.
Integrante da tradicional família Leão, Jandira iniciou sua vida profissional muito jovem. Em 1964, começou a trabalhar na Prefeitura de Arapiraca e, no mesmo ano, atuou na Junta Militar. Também em 1964, após aprovação em concurso público, ingressou na Câmara Municipal de Arapiraca, onde exerceu a função de Diretora Legislativa, tornando-se uma das servidoras mais respeitadas do Poder Legislativo municipal. Durante décadas, assessorou vereadores na elaboração de projetos e contribuiu diretamente para o fortalecimento das atividades legislativas da cidade.
Paralelamente à carreira no serviço público, Jandira destacou-se no jornalismo. Iniciou sua atuação na antiga Antena de Publicidade, em Arapiraca, sob a coordenação do radialista J. Sá, e posteriormente escreveu para importantes veículos de comunicação, entre eles a Gazeta de Alagoas e a Tribuna de Alagoas (atual Tribuna Independente). Suas colunas registravam acontecimentos sociais, culturais e beneficentes, tornando-se leitura obrigatória para quem acompanhava a vida social do Agreste e de Alagoas.
Seu trabalho, no entanto, ia além da cobertura de eventos. Jandira utilizava o colunismo social para valorizar pessoas, divulgar iniciativas comunitárias e incentivar ações filantrópicas. Participou ativamente da Associação das Voluntárias da Caridade, onde exerceu funções de diretora social e secretária, colaborou com projetos do Lions Club, da Câmara Júnior e foi uma das fundadoras do Conselho dos Direitos da Mulher em Arapiraca, demonstrando forte compromisso com o desenvolvimento social da cidade.
Em reconhecimento à sua dedicação ao serviço público, recebeu em 1998 a Comenda Manoel André, uma das mais importantes homenagens concedidas pela Câmara Municipal de Arapiraca. A honraria destacou sua contribuição para o Legislativo e para a sociedade arapiraquense ao longo de décadas de atuação.
Jandira Leão faleceu em dezembro de 2009, aos 66 anos, em Maceió. Seu corpo foi velado na Câmara Municipal de Arapiraca, local onde construiu grande parte de sua carreira profissional. O cortejo, acompanhado por familiares, amigos, autoridades e representantes da sociedade civil, percorreu as ruas da cidade em carro aberto do Corpo de Bombeiros até o Cemitério Pio XII, em uma das mais emocionantes despedidas já registradas em Arapiraca.
Anos depois de sua partida, sua memória voltou a ser celebrada em uma sessão solene da Câmara Municipal de Maceió, quando foi homenageada in memoriam com a Comenda Colunista Social Cândida Palmeira, ao lado de sua irmã Jacira Leão e da também colunista Maria José Palmeira. A cerimônia reconheceu a contribuição de Jandira para o fortalecimento do colunismo social em Alagoas e para a valorização da história da comunicação no estado.
Mais do que registrar acontecimentos sociais, Jandira Leão ajudou a contar a história de Arapiraca. Seu legado permanece vivo na memória de colegas, familiares, jornalistas e servidores públicos que conviveram com sua dedicação, elegância e compromisso com a cidade. Seu trabalho consolidou um padrão de profissionalismo que continua inspirando novas gerações de comunicadores e profissionais da vida pública.






