Da infância nos campos à tradição do “Pão Maravilha”, Sula construiu uma trajetória marcada pelo empreendedorismo rural, pelo serviço público e pelo amor à terra que escolheu para viver.

A história de José Justino dos Santos, carinhosamente conhecido como Sula, confunde-se com a própria formação social e econômica de Arapiraca. Vaqueiro, fazendeiro, fumicultor, comerciante de gado, servidor público e homem de fortes raízes sertanejas, ele construiu uma trajetória de trabalho, honestidade e dedicação que o transformou em um dos personagens mais queridos da cidade.

Natural de Tanque d’Arca, em Alagoas, Sula nasceu em uma família de agricultores. Ainda criança, em 1945, aos oito anos de idade, mudou-se com os pais, Justino Manuel dos Santos e Benícia Alves dos Santos, para uma propriedade rural adquirida pela família no Sítio Poção, em Arapiraca. Foi ali que começou a criar os laços que o acompanhariam por toda a vida com a terra, a agricultura e a pecuária.

Os primeiros estudos aconteceram na escola do Sítio Pitombeira, no Manuel Gomes, instituição idealizada por Nezinho Protázio, tendo como primeira professora Letícia. Mesmo conciliando os estudos com o trabalho, desde cedo aprendeu que o esforço era o caminho para construir uma vida digna.

Ainda muito jovem, passou a trabalhar na agricultura, cultivando feijão, algodão e outras culturas que impulsionavam a economia arapiraquense naquele período. Com dedicação e responsabilidade, recebeu do pai a missão de administrar a fazenda da família. Demonstrando espírito empreendedor, implantou uma vacaria que ampliou significativamente a produção leiteira da propriedade, fortalecendo a renda familiar.

Todas as manhãs, montado em seu cavalo, seguia para o Alto do Cruzeiro, transportando, na cangalha, latões de leite destinados à comercialização. Foi durante uma dessas viagens que viveu um episódio que marcaria sua memória para sempre. Ao concluir sua primeira venda, encontrou um vendedor anunciando em voz alta:

“Pão da maravilha! Quem tem dinheiro compra, quem não tem espia!”

Sem hesitar, respondeu:

“Eu tenho dinheiro e quero comprar.”

A cena ficou eternizada em suas lembranças e passou a representar um dos muitos episódios pitorescos de sua juventude, revelando a simplicidade e o bom humor que sempre fizeram parte de sua personalidade.

Já aos 18 anos, iniciou uma intensa atividade no comércio de gado, comprando animais principalmente no estado de Sergipe para revendê-los em Arapiraca. A atividade contribuiu para fortalecer o mercado pecuário regional, tornando-o conhecido entre produtores rurais, vaqueiros e comerciantes.

Ao longo da vida, Sula conviveu com diversas personalidades que ajudaram a construir a história política, econômica e social de Arapiraca. Seu relacionamento com lideranças, produtores rurais e empresários fez dele uma testemunha privilegiada das transformações vividas pela cidade nas últimas décadas.

Além da atuação no campo, também prestou relevantes serviços ao setor público. Exerceu diferentes funções administrativas, destacando-se como assessor educacional da Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL), onde atuou com dedicação e espírito colaborativo. Entre seus grandes amigos esteve o ex-prefeito e professor Severino Leão, com quem manteve uma sólida relação de respeito e admiração.

Ao longo dos anos, consolidou-se como um dos grandes representantes da cultura sertaneja em Arapiraca. Vaqueiro por vocação, agricultor por tradição e servidor público por compromisso, sempre preservou valores como humildade, honestidade, palavra empenhada e respeito às pessoas.

Sua trajetória também simboliza a força dos homens que participaram diretamente da transformação de Arapiraca, desde os tempos em que a economia era sustentada pela agricultura e pela pecuária até a consolidação da cidade como um dos principais polos econômicos do interior nordestino. O comércio de algodão, leite, gado e fumo foi decisivo para esse desenvolvimento histórico.

Esposo, pai, fazendeiro, fumicultor, comerciante de gado, servidor público e apaixonado pela vida no campo, José Justino dos Santos, o Sula, representa uma geração que ajudou a construir Arapiraca com trabalho silencioso, coragem e perseverança.

Mais do que um personagem popular, Sula tornou-se parte da memória afetiva da cidade. Sua história reúne os valores que moldaram o povo arapiraquense: simplicidade, espírito empreendedor, amizade e profundo amor pela terra.

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