Um dos maiores desafios que empresas têm enfrentado em relação aos seus colaboradores está no engajamento e retenção de talentos. Mesmo aqueles que se dizem satisfeitos com seus empregos e funções, é comum observar desempenhos medianos e até mesmo a procura por outros locais de trabalho.

Segundo um levantamento da Pluxee, realizado em 2026, 80% dos trabalhadores afirmam estar satisfeitos com seus empregos atuais. No entanto, 44% dizem que suas habilidades não são plenamente aproveitadas dentro das empresas. A atuação das lideranças é um dos fatores que explicam esse fenômeno, já que a forma como gestores conduzem equipes têm impacto direto na motivação e no desempenho dos colaboradores.

Para a administradora especialista em gestão de pessoas, Dayse Simão, esses dados mostram a necessidade de se mudar toda uma cultura organizacional nos moldes do que é praticada atualmente. “Muitos sentem, em pleno exercício da profissão, que não é aproveitado inteiramente ou é até mesmo sabotado o tempo todo. É comandado apenas por entrega, não fazendo parte das mudanças, iniciativas e decisões. A equipe não quer um líder perfeito, mas quer se conectar com a humanidade”, reforça.

Como a satisfação isolada não garante produtividade, profissionais podem permanecer em seus cargos, mas desconectados do propósito e do crescimento dentro da empresa. É importante entender que instituições sustentáveis são construídas a partir de ambientes onde os profissionais se sentem valorizados e parte do negócio.

“O cenário encanta, mas o funcionário chega para trabalhar e encontra com uma liderança tóxica e desconectada. Dentro da empresa acham que a entrada de novos talentos é campo de competitividade, não de agregar. Um ego de talentos que faz com que pessoas desistam de novas oportunidades, mesmo com um mercado de trabalho sem demanda de mão de obra. O trabalhador não é retido porque não encontrou um espaço de desenvolvimento para entregar seu potencial, além de demissões que ocorrem por iniciativa por parte do próprio colaborador, impulsionados por um nível maior de consciência dos seus direitos e busca por ambientes de trabalho saudáveis”, destaca a especialista.

Muitas lideranças ainda não desenvolveram habilidades essenciais de comunicação, escuta e desenvolvimento de equipes. Segundo Dayse Simão, essa é uma das principais características que um líder deve ter para o exercício da função.

“Se a gente for listar as características competentes de um líder vão surgir mais de 40, mas eu acredito que podemos resumir em dois pontos: o líder precisa ter a capacidade de entregar resultados operacionais e o mais desafiador, ter uma comunicação eficiente. Uma boa comunicação entrega credibilidade, confiança e segurança psicológica que faz com que as pessoas se sintam em um espaço aberto para o desenvolvimento”, pontua.

Entre os erros cometidos estão a crença de que salário é suficiente para engajar, a falta de escuta ativa e a tendência de procurar a equipe apenas em momentos de erro. Também se destaca a ausência de reconhecimento, a dificuldade em desenvolver talentos e a comunicação pouco clara sobre os rumos da empresa. Outro erro frequente está na tentativa de tratar todos os profissionais da mesma forma, desconsiderando diferenças individuais, motivações e contextos pessoais.

“Apontar erro não é uma cultura de feedback. Ter momentos de conversa com o colaborador para acertar a rota é válido, mas não apenas para cobranças. Essa cultura já não se impõe mais na retenção de talentos, as pessoas precisam e necessitam da comemoração também dos resultados. Liderança positiva é aquela que identifica com maior potência e com práticas diárias os bons resultados. Se o colaborador é chamado atenção somente pelos erros, ele não vai entregar nada além da sua obrigação”, salienta a especialista em gestão de pessoas.

Outro destaque é sobre o tipo de peso que está sendo colocado nesses líderes, que são cobrados por resultados, mas muitas vezes não possuem suporte para lidar com cenários difíceis, como os de equipes reduzidas e sobrecarregadas, o que acaba gerando uma liderança impulsiva e muitas vezes agressiva.

Essas falhas não afetam apenas o clima organizacional, mas também os resultados financeiros e estratégicos das empresas. Equipes desmotivadas tendem a apresentar menor produtividade, maior rotatividade e menor capacidade de inovação. Empresas com resultados consistentes costumam ter lideranças mais humanas, comunicação clara e foco no desenvolvimento contínuo das pessoas.

“Eu acredito que pessoas conseguem trazer suas potências naquilo que ela se identifica. Muitos líderes são promovidos por serem bons funcionários, mas não tem preparo para lidar com as nuances humanas. Pessoas têm o seu próprio querer e essa conexão do propósito do mercado de trabalho com o propósito do profissional tem que ser construída no dia a dia da cultura organizacional. A liderança tem que ser desenvolvida todos os dias para captar e engajar pessoas”, finaliza Dayse Simão. 

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