Um dos maiores nomes do reisado em Alagoas, José Magalhães da Silva se foi em novembro do ano passado, aos 94 anos. Porém deixou o seu legado.
O “Mestre Duda”, alcunha que ganhou de todos, nasceu em Arapiraca em 1922, dois anos antes de ela se emancipar politicamente de Limoeira de Anadia-AL. Filho de agricultor, agricultor é. Ele alternava essa profissão com a de pedreiro também quando o verão chegava.
Mas foi longe da labuta que seu coração palpitou mais forte: aos 8 anos de idade, assistiu ao que mudaria sua visão de mundo. Cores e mais cores rodopiando e sendo melodiadas. Aquela visão ficaria guardada. Era dezembro de 1930 e o grupo que estava se apresentando, da cidade de Junqueiro-AL.
Um dos integrantes desse mesmo grupo era Antônio Militão, artista que pouco depois também viria a morar em Arapiraca, mais especificamente no bairro de Canafístula – o mesmo de Duda.
Passado algum tempo (Duda já tinha mais de 25 anos), Antônio inicia o primeiro grupo de reisado naquele local. Como havia casado há pouco e estava com filhos pequenos, o jovem não queria se envolver muito e apenas via os ensaios.
Certo dia, na falta de um personagem, lhe chamaram – e a visão que ficara guardada se fez ao vivo. Passou 12 anos lá até a morte de Antônio Militão. Depois foi convidado a participar do Grupo de Reisado da Camadanta.
Apesar da distância, ele fazia questão de ir realizar este resgate das nossas tradições nordestinas. Em pouco tempo, esse reisado também se desfez e só em 2001 o Mestre Duda voltou a dançar, por meio da Associação de Moradores e Amigos da Comunidade de Canafístula, comandando seu próprio grupo.
Por causa disso, ele recebeu reconhecimento nacional com o título de “Mestre da Tradição Oral”, pelo Ministério da Cultura (MinC). Seu trabalho cultural hoje rendeu no Reisado do Mestre Duda, coordenado pelo artesão José Wilson lá na Canafístula, que conta com componentes entre 14 e 87 anos. O reisado é democrático.





