A história da Mineração Barreto S.A. (MIBASA) confunde-se com a própria evolução da mineração em Alagoas e com o desenvolvimento econômico do Nordeste. Fundada a partir dos ideais de uma família empreendedora, a empresa consolidou-se como uma das mais tradicionais do setor mineral brasileiro, mantendo vivo, ao longo de mais de sete décadas, o lema deixado por seu fundador: “Honestidade e Trabalho”.

Tudo começou quando Solon Guedes Barreto fundou, na cidade de Neópolis, em Sergipe, a empresa S. Barreto & Filhos, inicialmente dedicada à compra e venda de cereais. Constituída como uma sociedade entre o pai e seus filhos, a empresa cresceu baseada na dedicação, na persistência e, principalmente, na união familiar. O fundador costumava repetir aos filhos uma frase que se tornou um verdadeiro princípio para as gerações seguintes:

“Meus filhos, sejam unidos como a carne à unha.”

Com o crescimento dos negócios, a empresa expandiu suas atividades para outros estados, investindo também no transporte de mercadorias por meio de embarcações próprias. Ao longo dos anos, a família Barreto experimentou diversos segmentos industriais, incluindo beneficiamento de arroz, fabricação de sabão e papelão, sempre buscando novas oportunidades de crescimento.

O grande ponto de virada ocorreu com a descoberta de jazidas de amianto no estado de Alagoas. A intenção inicial era produzir papelão de asbesto, mas o potencial mineral encontrado fez com que a empresa direcionasse seus investimentos para a mineração.

Em 5 de setembro de 1948, a empresa passou oficialmente a atuar no setor mineral, iniciando pesquisas geológicas que revelariam importantes reservas minerais no sertão alagoano. Entre elas destacou-se a jazida de Campestre, localizada no município de Jaramataia, considerada uma das maiores reservas de amianto do país naquela época.

O nome Campestre foi inspirado em uma antiga lagoa existente na região, conhecida como Lagoa do Campestre, localizada próxima à jazida.

A descoberta de Campestre

A descoberta da jazida tornou-se uma das histórias mais curiosas da mineração brasileira.

O responsável foi Antônio Alves Reis, conhecido como Antônio Nezinho, um carreiro que percorria a região conduzindo carroças de bois para transportar mercadorias entre povoados.

Durante suas viagens, Antônio observou que determinadas pedras existentes em um trecho da caatinga soltavam fibras semelhantes à lã. Intrigado, recolheu algumas amostras e as levou para casa.

Dias depois, um amigo sugeriu que aquelas pedras fossem apresentadas a uma empresa que já pesquisava minerais na região de Traipu. As amostras despertaram imediatamente o interesse dos empresários.

O primeiro representante da empresa a visitar o local foi Luiz Gonzaga Machado Barreto, que viajou até Batalha e, posteriormente, seguiu a cavalo até o povoado de Pau Ferro, onde residia Antônio Nezinho.

Conta-se que, durante uma das visitas à região, Luiz Gonzaga permaneceu sozinho na mata enquanto Antônio procurava o caminho da jazida. De repente surgiu, em meio à caatinga, um homem com as roupas completamente rasgadas. Assustado, Luiz Gonzaga gritou imaginando tratar-se de um indígena, episódio que ficou registrado entre as histórias mais curiosas da formação da empresa.

Antônio Nezinho passou a integrar a equipe da mineradora, permanecendo na empresa até sua aposentadoria, sendo reconhecido como um dos personagens fundamentais na descoberta daquela importante riqueza mineral.

O nascimento da Vila Campestre

Com a implantação da mineração, foi construída a Vila Campestre, planejada para oferecer qualidade de vida aos trabalhadores e suas famílias.

A empresa edificou moradias, escola para os filhos dos funcionários e uma igreja dedicada a Nossa Senhora do Rosário, santa de devoção do fundador Solon Guedes Barreto.

A capela teve seu projeto inspirado na igreja do povoado de Poxim, no município sergipano de Japoatã. Demonstrando seu cuidado com cada detalhe, Solon Barreto viajou pessoalmente ao Rio de Janeiro para escolher o sino da igreja, buscando um som que marcasse a identidade da comunidade.

A Vila Campestre tornou-se uma referência de organização e desenvolvimento no sertão alagoano, representando muito mais do que um centro de mineração: era uma comunidade estruturada em torno do trabalho, da educação e da fé.

Nasce oficialmente a MIBASA

Até 1967, a empresa manteve a denominação S. Barreto & Filhos.

Com a ampliação das atividades e o crescimento dos negócios, foi criada oficialmente, em 5 de julho de 1968, a Mineração Barreto S.A. – MIBASA.

As pesquisas geológicas continuaram intensas. Em 1966, foi identificada uma pequena reserva de calcário em Campestre. Poucos anos depois, em 1972, a empresa iniciou a produção de calcário agrícola, importante para a correção da acidez dos solos e para o fortalecimento da agricultura nordestina.

Em 1982, a descoberta da grande jazida de Belo Monte, estimada em cerca de 30 milhões de toneladas, levou a empresa a transferir toda a exploração de calcário para aquela região, ampliando significativamente sua capacidade produtiva.

Arapiraca torna-se a matriz administrativa

Em 1987, foi inaugurado o escritório da empresa em Arapiraca, cidade que posteriormente passou a sediar oficialmente a matriz administrativa da MIBASA.

A localização estratégica fortaleceu ainda mais a presença da empresa no mercado nordestino, permitindo ampliar sua atuação nos segmentos de mineração, construção civil e agricultura.

Expansão para novos negócios

Já sob a administração dos netos do fundador, a empresa manteve os princípios familiares e iniciou um novo ciclo de crescimento.

Em 17 de julho de 1992, foi criada a MIRCOL – MIBASA Revendedora de Combustíveis e Lubrificantes Ltda., voltada ao comércio de combustíveis e lubrificantes.

No ano seguinte, em 19 de maio de 1993, nasceu a MICMAC – MIBASA Indústria e Comércio de Materiais de Construção Ltda., destinada à fabricação de produtos para a construção civil, ampliando a diversificação do grupo empresarial.

Um legado que atravessa gerações

Hoje, a MIBASA é reconhecida como uma das empresas mais tradicionais do Nordeste brasileiro. Seus produtos abastecem os setores de mineração, agricultura, construção civil e indústria, contribuindo para o desenvolvimento econômico de diversos estados.

Mais do que uma empresa de mineração, a MIBASA representa um exemplo de empreendedorismo familiar, visão de futuro e responsabilidade social. Ao preservar os ensinamentos de Solon Guedes Barreto, especialmente os valores de honestidade, trabalho e união, a empresa construiu um legado que ultrapassa gerações e permanece como um dos grandes símbolos da iniciativa privada em Alagoas e no Nordeste brasileiro.

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