O medo de ir ao dentista ainda é uma realidade para milhões de pessoas e segue como um dos principais fatores por trás do abandono de tratamentos e do agravamento de problemas bucais. Conhecida como odontofobia, essa condição vai além de um desconforto pontual e pode impactar diretamente a saúde.
Dados da Oral Health Foundation, do Reino Unido, mostram que 36% das pessoas evitam consultas por medo. No Brasil, estudos apontam que 2 em cada 8 brasileiros, apresentaram moderada ou severa ansiedade frente ao atendimento odontológico, enquanto e, segundo o CFO (Conselho Federal de Odontologia), 15% da população sofre de ansiedade odontológica. O cenário, no entanto, começa a mudar com a evolução das práticas clínicas e o uso de tecnologias menos invasivas.
Segundo a cirurgiã-dentista Luciana Sargologos, especialista em Odontologia Restauradora Estética e SDA KOL da EMS, a origem desse medo costuma estar ligada a experiências passadas, nem sempre próprias.
“Grande parte dos pacientes associa o consultório a episódios antigos de dor ou desconforto. Em muitos casos, esse medo também é construído a partir de relatos familiares, que acabam sendo internalizados ao longo do tempo”, explica.
Mais do que dor: os gatilhos da ansiedade
Embora a dor seja o fator mais lembrado, outros elementos contribuem para o estresse durante a consulta, como o som dos equipamentos, a iluminação intensa e a sensação de falta de controle.
Para reduzir esse impacto, estratégias simples de comunicação têm ganhado espaço nos consultórios.
“O desconhecido gera muita ansiedade. Quando o profissional explica cada etapa do atendimento e mantém o paciente informado, o nível de tensão diminui significativamente”, afirma a especialista.
Odontologia menos invasiva e mais confortável
Nos últimos anos, a odontologia tem incorporado tecnologias que transformam a experiência do paciente, tornando os procedimentos mais previsíveis e menos desconfortáveis.
Entre os avanços está o chamado Guided Biofilm Therapy (GBT), protocolo que substitui métodos tradicionais mais agressivos por uma abordagem focada na remoção do biofilme de forma controlada.
“O uso de água aquecida e partículas mais finas permite uma limpeza eficaz, mas muito mais delicada. Isso reduz a sensibilidade e muda completamente a percepção do paciente durante o procedimento”, explica Luciana.
Outras inovações também contribuem para essa mudança:
- Anestesia eletrônica: controla a velocidade da aplicação, reduzindo a dor associada à injeção
- Scanner intraoral: substitui moldagens tradicionais, evitando desconforto e náuseas
- Equipamentos mais silenciosos: diminuem estímulos que geram ansiedade
Prevenção ainda é o principal fator de mudança
Apesar dos avanços tecnológicos, especialistas reforçam que o acompanhamento regular continua sendo o principal aliado para reduzir o medo e evitar procedimentos mais complexos.
“Quando o paciente procura o dentista apenas em situações de dor, a chance de precisar de intervenções mais invasivas aumenta, e isso reforça o ciclo do medo”, afirma.
A adoção de consultas preventivas permite diagnósticos mais precoces e tratamentos mais simples, rápidos e menos desconfortáveis.
De experiência traumática a cuidado contínuo
Na prática clínica, a mudança já é perceptível. Pacientes que evitavam o consultório por anos começam a retomar o acompanhamento ao perceberem que os procedimentos evoluíram.
“Hoje vemos pessoas que chegam com histórico de trauma e, aos poucos, conseguem ressignificar essa experiência. O consultório deixa de ser um espaço de tensão e passa a ser associado a cuidado e bem-estar”, diz.
Como reduzir a ansiedade antes da consulta
Especialistas recomendam algumas medidas simples para quem ainda sente desconforto:
- Informar o medo ao profissional antes da consulta
- Optar por horários mais tranquilos
- Buscar clínicas que utilizem tecnologias menos invasivas
- Utilizar técnicas de respiração para controle da ansiedade





