Pesquisa da Ufal liga queda no calor a picos de internação em Maceió

Fonte: Reprodução

Pesquisadores do Instituto de Ciências Atmosféricas (Icat) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) encontraram associação entre variações atmosféricas em Maceió e elevações nas hospitalizações por doenças respiratórias.

Os trabalhos, publicados em revistas científicas internacionais, cruzaram séries meteorológicas com registros de saúde e avaliaram a capacidade de prever picos de internações na rede pública.

O estudo foi conduzido pelos professores Fabrício Silva, Glauber Marinho, Helber Barros Gomes e Heliofábio Barros Gomes. Entre as variáveis analisadas, a temperatura mínima foi apontada como a que mais explica o volume de internações na capital.

Os autores ressaltam, contudo, que os resultados indicam associação estatística e poder preditivo, e não prova de causalidade direta. Alterações no clima podem aumentar o risco, mas não determinam que uma pessoa ficará doente isoladamente.

Uma das publicações analisou uma série histórica de 20 anos, de 2000 a 2019, segmentando pacientes em três faixas etárias: crianças de 0 a 4 anos, adultos de 5 a 59 anos e idosos a partir de 60 anos. O estudo revela que a resposta às variações meteorológicas difere conforme a idade.

Para a população em geral e, especialmente, para crianças, as internações concentram-se mais entre março e maio, período mais chuvoso em Maceió. Entre os idosos, os picos ocorrem mais tardiamente, sobretudo em agosto e setembro.

Os pesquisadores também observaram defasagem temporal entre a exposição às mudanças climáticas e a necessidade de hospitalização: os sintomas podem surgir até duas semanas após as variações do tempo. Crianças tendem a reagir mais rapidamente, enquanto idosos costumam apresentar manifestações mais tardias, em parte devido a comorbidades e menor adaptação fisiológica.

O grupo pretende transformar os modelos matemáticos em ferramentas operacionais para a gestão da saúde pública. A ideia é usar previsões atmosféricas associadas ao risco de internações para criar sistemas de alerta.

Os pesquisadores planejam ampliar os estudos para municípios do interior, como Arapiraca, para testar o desempenho da modelagem em populações menores, e aplicar a metodologia à investigação da influência do clima sobre o aumento de doenças cardiovasculares no estado.

Fonte da matéria: gazetadealagoas.com.br

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