Pesquisadores e estudantes da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), em Penedo, intensificaram o acompanhamento da presença do peixe-leão no litoral alagoano. Considerada uma espécie invasora de alto potencial de impacto ambiental, ela tem capacidade de se reproduzir rapidamente e predar espécies nativas, como peixes, crustáceos e moluscos.

Dois exemplares foram encontrados recentemente em Piaçabuçu, no extremo sul de Alagoas, ambos na região do Pontal do Peba. Um dos animais acabou capturado de forma acidental durante a pesca de camarão, em uma rede de arrasto. O segundo foi localizado em uma piscina natural, a apenas meio metro de profundidade, área utilizada por turistas, pescadores e banhistas.

A ocorrência em águas rasas preocupa os pesquisadores não apenas pelos possíveis danos à fauna marinha, mas também pelo risco de acidentes. O peixe-leão possui espinhos capazes de inocular veneno e provocar dor intensa após o contato.

De acordo com o pesquisador Cláudio “Buia” Sampaio, referências de ocorrência da espécie já foram identificadas em diferentes pontos do litoral de Alagoas. Os registros incluem ambientes recifais, naufrágios e áreas de fundo de lama. Alguns animais foram capturados com arpões e redes, enquanto outros apareceram incidentalmente durante a pesca de camarão.

Pesquisas são realizadas em Penedo

Parte dos animais coletados é encaminhada ao Laboratório de Ictiologia e Conservação (LIC) da Ufal, em Penedo. No espaço, professores, pesquisadores e estudantes dos cursos de Engenharia de Pesca e Ciências Biológicas investigam diferentes características do peixe-leão.

Os estudos analisam aspectos como alimentação, reprodução, presença de parasitas, microbiologia e contaminantes. Outra frente de pesquisa avalia alternativas para o aproveitamento da carne e da pele do animal, buscando possibilidades que possam contribuir para estratégias de manejo da espécie.

Além das pesquisas, o laboratório também atua na formação de profissionais capacitados para lidar com espécies invasoras e participa de reuniões técnicas, capacitações e ações de educação e comunicação ambiental.

Para os pesquisadores, o monitoramento depende da colaboração entre universidades, órgãos públicos, pescadores, mergulhadores, profissionais do turismo e demais pessoas que frequentam o litoral.

Orientações

A recomendação para quem encontrar ou capturar acidentalmente um peixe-leão é não tocar no animal e não tentar capturá-lo sem treinamento e equipamentos apropriados. A ocorrência deve ser comunicada às autoridades ambientais, instituições de pesquisa, universidades ou projetos de conservação.

Informações como localização, data e profundidade do registro, acompanhadas de fotografias quando for seguro fazê-las, podem ajudar no acompanhamento da expansão da espécie e na definição de medidas de controle.

A preocupação é maior em áreas como as piscinas naturais de Alagoas, que concentram atividades de pesca e turismo e podem ser ocupadas pelo peixe-leão.

Espécie que se espalha

Nativo da região do Indo-Pacífico, o peixe-leão (Pterois volitans) se tornou uma das espécies invasoras de maior preocupação no Atlântico. Sua presença na região está relacionada a introduções associadas ao comércio de aquários, especialmente a partir da Flórida, nos Estados Unidos.

Com poucos predadores naturais nos ambientes invadidos, crescimento rápido e capacidade de reprodução durante todo o ano, a espécie consegue se estabelecer em diferentes áreas marinhas. Sua alimentação inclui animais nativos, o que pode alterar o equilíbrio das comunidades costeiras.

No Brasil, registros do peixe-leão já foram feitos do Amapá ao extremo sul da Bahia, além de ilhas oceânicas como o Atol das Rocas e o Arquipélago de Fernando de Noronha.

O trabalho desenvolvido pela Ufal também envolve parcerias com instituições de outros estados, incluindo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), universidades e projetos de conservação marinha. 

A integração entre pesquisa, monitoramento e participação da sociedade é considerada fundamental para acompanhar o avanço da espécie e reduzir seus impactos nos ecossistemas brasileiros.

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