A Piracanjuba anunciou o início sua operação em Alagoas em reunião, ontem, com o governador Paulo Dantas. Segundo maior grupo de latícinios do Brasil, a companhia concluiu o processo de aquisição do Laticínio Sertão, em Monteirópolis, e pretende comprar 350 mil litros de leite por dia dos produtores alagoanos.
A chegada empresa de laticínios foi destacada pelo governador Paulo Dantas nessa segunda-feira (27/07), como mais um passo na expansão da indústria leiteira no Sertão.
“A Piracanjuba é a segunda maior empresa de laticínios do Brasil. Sabe onde ela está? Em Alagoas, na nossa bacia leiteira, em Monteirópolis. São mais de 200 empregos diretos gerados e ainda vai comprar 350 mil litros de leite dos nossos produtores”, afirmou Paulo Dantas em vídeo publicado nas redes sociais.
O volume anunciado pelo governador equivale a aproximadamente 17% dos pouco mais de 2 milhões de litros de leite produzidos diariamente em Alagoas. A nova demanda deve ampliar o escoamento da produção, fortalecer o preço pago no campo e reduzir a quantidade de leite in natura enviada para processamento em outros estados.
A Piracanjuba comprou integralmente o controle do Laticínio Sertão, indústria fundada em 1955 e instalada em uma área de 70 hectares na zona rural de Monteirópolis. O valor da transação não foi divulgado pelas empresas. Anunciada em maio, a aquisição foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica e concluída em 1º de julho.
Com a compra, a unidade de Monteirópolis tornou-se a 12ª fábrica do Grupo Piracanjuba no país. A companhia tem capacidade para processar mais de 7 milhões de litros de leite por dia e reúne mais de 200 produtos em seu portfólio, incluindo as marcas Piracanjuba, Emana e LeitBom, além das marcas licenciadas Ninho e Molico.
Produção de queijos
A fábrica adquirida pela Piracanjuba é especializada na produção de queijos e derivados. A unidade fabrica queijo coalho, muçarela, prato, provolone, ricota e cheddar, além de requeijão e manteiga, com distribuição concentrada no mercado nordestino.
Neste primeiro momento, os produtos continuarão sendo comercializados com a marca Laticínio Sertão. A marca Piracanjuba será incorporada gradualmente à produção local, acompanhando os futuros investimentos e a ampliação do portfólio da unidade.
O presidente do grupo, Luiz Claudio Lorenzo, antecipou que a empresa já iniciou estudos para ampliar a planta de Monteirópolis. “A expectativa é expandir gradualmente tanto a produção quanto o mix de produtos fabricados na unidade”, afirmou.
Segundo Lorenzo, a fábrica também permitirá maior proximidade com os fornecedores da região. A empresa pretende ampliar o relacionamento com os produtores que já abastecem o Laticínio Sertão e incluir novos fornecedores à medida que elevar a capacidade de processamento.
Nova fase do leite
A chegada da Piracanjuba reforça uma fase de expansão sem precedentes da indústria de laticínios em Alagoas. Além da unidade de Monteirópolis, a Alvoar, dona das marcas Betânia, Camponesa e Embaré, assumiu a fábrica da CPLA em Batalha, enquanto a Natville constrói uma nova unidade industrial no mesmo município.
As três empresas devem comprar juntas mais de 1,2 milhão de litros de leite por dia. O volume corresponde a aproximadamente metade de toda a produção alagoana e tende a modificar a relação entre oferta e demanda na bacia leiteira.
Durante muitos anos, parte expressiva do leite produzido no Sertão de Alagoas seguiu em caminhões para indústrias de Pernambuco e Sergipe. Com a entrada dos novos grupos, parcela crescente dessa produção será processada no próprio estado, agregando valor, gerando empregos e ampliando a arrecadação dos municípios.
A fábrica da Piracanjuba também amplia geograficamente esse novo parque industrial. Enquanto Alvoar e Natville concentram suas operações em Batalha, a Piracanjuba passa a operar em Monteirópolis, município vizinho e igualmente integrado à principal região produtora de leite de Alagoas.
Para Paulo Dantas, os investimentos confirmam a capacidade do estado de atrair grandes grupos do setor. “É muito orgulho ter sido governador nesta fase de Alagoas. Mais investimentos estão chegando e quem ganha é o nosso produtor”, afirmou.






