A procura por procedimentos estéticos mais discretos e naturais tem crescido no Brasil, refletindo uma mudança no comportamento dos pacientes. Em um mercado antes marcado por intervenções mais evidentes, passa a ganhar espaço a busca por resultados que valorizem a identidade e não revelem, de forma explícita, a realização de procedimentos.

Dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) mostram que os procedimentos minimamente invasivos cresceram mais de 30% nos últimos anos, com destaque para aqueles que preservam a harmonia facial. Toxina botulínica, bioestimuladores de colágeno e aplicações com menores volumes de ácido hialurônico integram a lista dos mais procurados. Protocolos combinados, que tratam a pele de forma global, também ganham força.

A especialista em longevidade estética da mulher madura, Dra. Sanauá Peixoto, explica que essa mudança está ligada tanto às experiências anteriores quanto às expectativas atuais dos pacientes.”Existe uma busca por naturalidade, com um resultado que não denuncie o procedimento e que respeite a identidade do rosto”, pontua. 

Se a preferência atual é por equilíbrio, o excesso de procedimentos ainda representa um risco. Intervenções exageradas podem causar distorções anatômicas e, em alguns casos, transmitir uma aparência envelhecida. Estudos publicados na Aesthetic Surgery Journal indicam que pacientes submetidos a preenchimentos excessivos tendem a parecer mais velhos ao longo do tempo, em contraste com aqueles que optam por protocolos mais sutis e bem planejados.

Para além da face, os riscos também se estendem aos procedimentos corporais. Técnicas como bioestimuladores, preenchedores, enzimas e aplicações voltadas para contorno exigem critérios rigorosos, porque, assim como no rosto, a ausência de planejamento individualizado pode comprometer os resultados e aumentar o risco de intercorrências.

Entre os principais problemas estão assimetrias, irregularidades no contorno e resultados artificiais. Em alguns casos, podem ocorrer complicações como inflamações ou reações adversas, especialmente quando há uso inadequado de substâncias ou excesso de produto.

É nesse contexto que especialistas reforçam a importância de uma avaliação criteriosa e individualizada para alcançar resultados duradouros e harmoniosos. “Um planejamento individualizado e um acompanhamento próximo e regular é o mais indicado, incluindo um cuidado mais amplo e que não esteja focado somente em procedimentos pontuais”, acrescenta Dra. Sanauá. 

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