Entre audiências e sentenças, o magistrado Ricardo Jorge Cavalcante Lima construiu uma trajetória singular, conciliando a responsabilidade da magistratura com a paixão pela música. Conhecido como o “Juiz Forrozeiro”, ele se tornou um dos nomes mais curiosos do cenário cultural alagoano, levando o autêntico forró para os palcos sem abrir mão da carreira no Judiciário.
Titular do 8º Juizado Especial Cível e Criminal da Capital, Ricardo Jorge Cavalcante Lima integra a magistratura alagoana desde 2002, exercendo sua função com reconhecida atuação no Tribunal de Justiça de Alagoas. Ao longo da carreira, também passou por comarcas do interior do Estado, incluindo Major Isidoro, antes de assumir a unidade na capital.
Paralelamente ao trabalho como juiz, Ricardo Lima desenvolveu uma intensa atividade artística. Compositor de milhares de músicas, tornou-se conhecido por valorizar o forró tradicional nordestino, embora também tenha criado canções nos estilos gospel, axé e frevo. Sua facilidade para compor chamou a atenção do público e da imprensa alagoana, que passou a chamá-lo de “Juiz Forrozeiro”.
Em 2015, lançou o álbum “Nordeste em Festa”, composto por músicas autorais inspiradas na cultura popular nordestina. O trabalho ganhou espaço nas rádios de Alagoas durante os festejos juninos e ampliou sua projeção como cantor. Em entrevistas, Ricardo destacou que compõe por paixão e que a música representa um momento de lazer e inspiração fora das atividades da magistratura. Segundo ele, muitas composições nasceram durante deslocamentos de carro, quando surgiam melodias e letras que depois se transformavam em canções.
A ligação com Arapiraca também é marcante. O próprio magistrado relatou que suas músicas passaram a ser bastante conhecidas na cidade, onde frequentemente era reconhecido pelo público durante as festas juninas. Esse carinho dos arapiraquenses consolidou sua presença entre os artistas ligados à cultura regional, aproximando ainda mais sua produção musical do Agreste alagoano.
Outra demonstração de sua versatilidade artística ocorreu em 2019, quando uma composição de sua autoria foi escolhida para integrar a programação do tradicional Pinto da Madrugada, um dos maiores blocos carnavalescos de Alagoas. O frevo reforçou sua capacidade de transitar por diferentes gêneros musicais sem perder a identidade cultural nordestina.
A história de Ricardo Lima demonstra que diferentes vocações podem caminhar juntas. Ao conciliar a responsabilidade de julgar processos com a sensibilidade de compor e interpretar canções, o magistrado construiu uma trajetória singular, mostrando que a cultura também pode ser um instrumento de aproximação com a sociedade.
Mais do que um juiz ou um cantor, Ricardo Lima tornou-se um exemplo de como a dedicação profissional pode coexistir com a valorização da arte, preservando e difundindo a música nordestina enquanto exerce uma das funções mais relevantes do Poder Judiciário brasileiro.






