Ao deixar a Presidência do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) nesta quarta-feira (15), o desembargador Fernando Tourinho Filho – que será substituído por Fábio Bittencourt, em posse marcada para as 10h – encerra sua gestão com um legado de modernização e estruturação do Poder Judiciário. Esse marco foi alcançado com o apoio de uma equipe dedicada e pela sua visão de futuro, que buscou aproximar o Judiciário da população e de suas demandas.

“Não creio que juízes sejam seres diferenciados; são pessoas como qualquer outra, que enfrentam dúvidas e buscam, com base na lei, resolver as demandas da sociedade”, declarou Tourinho. “Embora não seja uma tarefa simples, conseguimos dar as respostas necessárias, mesmo que nem sempre na velocidade esperada, mas fundamentadas na responsabilidade que nossa função exige.”

Em entrevista ao Gazeta News, que será exibida neste sábado (11) no canal 525 Net/Claro e também na playlist do YouTube, Tourinho brincou sobre a percepção dos julgadores: “Os advogados costumam dizer que juízes pensam que são deuses, enquanto desembargadores têm certeza disso” (risos).

Ele destacou, no entanto, que um desembargador é, acima de tudo, um magistrado com experiência acumulada ao longo de anos de trabalho, o que os torna mais humanizados e atentos às necessidades da sociedade. “Levo comigo muitos aprendizados das comarcas por onde passei, do convívio com as pessoas e dos profissionais que conheci. Cada dia é uma oportunidade de aprendizado”, afirmou.

Tourinho relembrou sua experiência na Vara da Infância, onde lidou com casos complexos e marcantes, como as determinações de adoção. “Aprendi que ser pai é um ato de criação, e isso mudou minha própria abordagem como pai, reforçando a importância do diálogo e da convivência com meus filhos.”

Filho de um renomado desembargador, Tourinho acredita que seu pai, se vivo, estaria orgulhoso de sua trajetória. “Meu pai era dedicado ao trabalho e à família, mas tinha um jeito exigente que hoje compreendo. Somos sempre observados e cobrados, mas acredito que ele reconheceria meu legado no Judiciário, assim como fez o dele”, refletiu.

ECONOMIA

Uma das marcas de sua gestão foi a implementação da geração de energia fotovoltaica, com capacidade de 5,7 megawatts-hora anuais. Essa iniciativa resultou em uma economia de 70% nos gastos com energia pública e envolveu a instalação de 6 mil placas solares em Delmiro Gouveia, no Alto Sertão alagoano. “Essa decisão foi motivada pela necessidade de economizar recursos para investir em outras áreas e expandir os serviços. Para nos aproximarmos da sociedade, precisamos atendê-la de maneira eficaz”, explicou Tourinho.

Além disso, sua gestão entregou mais de 20 obras, com reformas e ampliações em cidades como Arapiraca, Campo Alegre, Coruripe, Major Izidoro e no Museu da Justiça Alagoana, na Praça Deodoro, além de melhorias em outros espaços do Judiciário. “Quase todos os conflitos não resolvidos amigavelmente acabam se tornando processos. Garantir um espaço adequado para nossos servidores era uma prioridade”, analisou.

LEGADO

Para qualificar o Judiciário e melhorar o atendimento, Tourinho viabilizou concursos públicos alinhados às diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), incluindo posições de assessoria jurídica e cartórios. O concurso para cartórios foi reconhecido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luiz Roberto Barroso.

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