Natural de Maceió e radicada em Arapiraca desde meados da década de 1960, Almira Gouveia Alves Fernandes construiu uma trajetória marcada pelo pioneirismo, pela sensibilidade humana e pela dedicação à transformação social. Assistente social, professora, escritora, memorialista e referência histórica em Alagoas, dona Almira tornou-se uma das mulheres mais importantes na consolidação do Serviço Social no estado.

Integrante da primeira turma da Escola de Serviço Social Padre Anchieta de Alagoas, colou grau em 1961 ao lado de apenas outras doze mulheres, em uma época em que a profissão ainda era praticamente desconhecida em Alagoas e dava seus primeiros passos no Brasil. Seu pioneirismo foi registrado oficialmente na história: Almira possui o registro número 001 no Conselho Regional de Serviço Social de Alagoas, sendo também a primeira assistente social nomeada para atuar na estrutura do Executivo estadual.

Ainda jovem, destacou-se pelo talento acadêmico e pelo olhar voltado às questões sociais do interior nordestino. Seu trabalho de conclusão de curso, intitulado “O Serviço Social Rural visando à Organização Comunitária de Chinaré”, alcançou reconhecimento internacional e foi traduzido para o inglês para subsidiar estudos de sociologia rural nos Estados Unidos.

A excelência de sua formação abriu portas para experiências internacionais. Em 1964, Almira esteve nos Estados Unidos participando de curso no Peace Corps Training Center, na Universidade de Wisconsin, além de representar Alagoas no Congresso do Movimento dos Companheiros da América — Brasil x EUA.

Pouco tempo após a graduação, recebeu uma missão que mudaria sua vida e sua relação com o Agreste alagoano. A convite do então governador Major Luiz Cavalcante, veio para Arapiraca com o objetivo de identificar as principais necessidades sociais do interior e contribuir para ampliar as ações governamentais nas áreas de saúde e assistência social.

Foi em Arapiraca que Almira consolidou sua história pessoal e profissional. Ao lado do médico, escritor e memorialista Judá Fernandes de Lima, seu esposo, participou ativamente de importantes iniciativas sociais, culturais e comunitárias que ajudaram a transformar a cidade. Entre elas, destacam-se a fundação do Lions Clube e a implantação da Rádio Novo Nordeste, um dos marcos históricos da comunicação regional.

Mesmo após o casamento e a dedicação à família, nunca abandonou o compromisso com o serviço social. Atuou no Hospital Regional de Arapiraca, lecionou em escolas públicas e participou de inúmeros projetos religiosos, filantrópicos e comunitários. Sua atuação sempre foi marcada pelo acolhimento humano, pela elegância intelectual e pelo compromisso com os mais vulneráveis.

Escritora e guardiã da memória alagoana, Almira Fernandes também deixou contribuição expressiva para a literatura e a documentação histórica. É autora e organizadora de diversas obras, entre elas “Pioneiras do Serviço Social em Alagoas: Turma 1960”, livro que celebra os cinquenta anos de formação da primeira turma de assistentes sociais do estado.

Reconhecida pelo povo arapiraquense como uma verdadeira filha da terra, recebeu o título de cidadã honorária de Arapiraca. Mesmo com o passar dos anos, continuou sendo presença respeitada em eventos culturais, educacionais e sociais, recebendo homenagens e convites para palestras.

Prestes a completar 80 anos, Almira Fernandes permanece como símbolo de coragem, pioneirismo e sensibilidade. Em sua fala serena e em seus gestos firmes, carrega a consciência de quem ajudou a construir parte importante da história social e cultural de Alagoas.

Mais do que uma assistente social, Almira Gouveia Alves Fernandes tornou-se um patrimônio humano de Arapiraca — uma mulher cuja trajetória inspira gerações pela inteligência, pela generosidade e pela capacidade de transformar vidas através do conhecimento e da solidariedade.

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