Benício Alves de Oliveira foi uma das figuras mais marcantes da vida política e comercial de Arapiraca nas décadas de 1940 e 1950. Homem de coragem, espírito empreendedor e forte compromisso com a população, construiu uma trajetória que permanece viva na memória daqueles que conhecem a história do município.
Nasceu em 1916, no Sítio Nogueira, zona rural do município de Anadia, Alagoas. Era o filho primogênito de Antônio Alves de Oliveira e Maria Olímpio de Oliveira, casal que também teve os filhos Experidião, Lourival, Egina, Josefa, Maria José e José.
Ainda jovem demonstrou inteligência, iniciativa e disposição para o trabalho. Em 1936, aos vinte anos de idade, deixou sua terra natal em busca de melhores oportunidades e transferiu-se para a cidade de Palmeira dos Índios. Naquela época ingressou na empresa Comércio e Construção, empreiteira sediada em Recife que executava as obras da ferrovia que ligaria Maceió a Porto Real do Colégio.
Na empresa passou a atuar como apontador de obras, função de grande responsabilidade em um período em que as construções dependiam quase exclusivamente da força de trabalho braçal. Seu envolvimento com a implantação da estrada de ferro o colocou diretamente em um dos mais importantes projetos de infraestrutura de Alagoas naquele período.
Também em 1936 casou-se com Aurelina Valões de Oliveira, união da qual nasceu seu primeiro filho, Antônio. Pouco tempo depois, porém, Aurelina faleceu, deixando Benício viúvo ainda muito jovem.
Mesmo diante das dificuldades, continuou trabalhando na expansão da linha férrea, acompanhando o avanço das obras pelo interior do estado. Quando a construção alcançou a região de Olho d’Água do Acioli, atual município de Igaci, Benício já era um profissional experiente e respeitado.
No início da década de 1940, com a chegada das obras à região de Lagoa da Canoa, decidiu fixar residência ao lado dos pais e irmãos. Nessa época adquiriu uma mercearia, iniciando sua trajetória empresarial sem abandonar suas atividades na empreiteira, cujo diretor administrativo era o alemão Dr. Gastão.
Em 1942, casou-se pela segunda vez com Josefa Barbosa Bóia, conhecida como Branca, filha de Manezinho Bruno. Com o falecimento de Branca, Benício voltou a enfrentar a dor da viuvez.
Posteriormente casou-se pela terceira e última vez com Ilda Araújo de Oliveira, com quem constituiu família e teve os filhos Manoel, Samoel, Benício, Cibele e Gláucia.
Em 1950, transferiu-se definitivamente para o bairro Cacimbas, em Arapiraca, onde ampliou seus negócios. Instalou um armazém de cereais na cidade e manteve outro em Lagoa da Canoa, realizando pessoalmente o transporte das mercadorias em seu próprio caminhão, atividade que contribuiu para o abastecimento da região e para o fortalecimento do comércio local.
Sua liderança comunitária e sua popularidade o levaram à vida política. Filiado à União Democrática Nacional (UDN) e aliado político do médico Dr. Marques da Silva, de quem era compadre, lançou-se candidato a vereador nas eleições de 1954.
Eleito para a Câmara Municipal de Arapiraca, exerceu o mandato entre 1955 e 1958, destacando-se pela proximidade com a população, pela defesa das causas comunitárias e pelo atendimento às necessidades das famílias da zona urbana e rural.
Benício Alves era reconhecido como homem de palavra, leal aos amigos, prestativo com a população e firme em suas convicções. Sua atuação pública foi marcada pela coragem, característica frequentemente lembrada por aqueles que conviveram com ele.
Sua trajetória foi interrompida tragicamente em novembro de 1956, quando foi assassinado no Sítio Alexandre, enquanto conduzia seu caminhão no trajeto entre Lagoa da Canoa e Arapiraca.
Mesmo com a vida abreviada, Benício Alves de Oliveira deixou uma marca profunda na história política e social do Agreste alagoano. Comerciante, trabalhador, líder comunitário e vereador, pertence à geração de pioneiros que ajudaram a consolidar o crescimento de Arapiraca em um período decisivo de sua formação.
Seu nome permanece lembrado como símbolo de coragem, dedicação ao trabalho e compromisso com o povo.




