A gestão de frotas se tornou um dos principais desafios operacionais para empresas de diferentes setores, sobretudo em segmentos intensivos em logística, como atacado e distribuição. Em meio à pressão por redução de custos, ganho de produtividade e maior controle sobre entregas, uma empresa criada em Maceió desenvolveu tecnologia e algoritmos próprios para rastreamento, telemetria e roteirização de cargas, ganhou escala nacional e hoje já atende clientes em todo o Brasil e em três países da América do Sul: Argentina, Paraguai e Uruguai.

Fundada há mais de 15 anos, a ZUQ Performance monitora hoje mais de 50 mil veículos e atende mais de 1,4 mil empresas, com soluções voltadas à gestão de frota, controle de combustível, manutenção, jornada de trabalho e definição de rotas mais eficientes. O CEO e cofundador da empresa, Dirceu Ayres, contou ao Movimento Econômico que a proposta sempre foi transformar um conjunto de tarefas operacionais em inteligência aplicada ao negócio.

“A ZUQ nasceu com a ideia de transformar a logística no Brasil. A gente não olha só para o veículo rodando, mas para tudo o que impacta a operação da empresa, da frota à entrega, do combustível à jornada de trabalho”, afirmou.

Com estrutura concentrada em Maceió, a empresa desenvolveu um sistema modular que atende de veículos leves a aeronaves, permitindo adaptar a gestão de frota à realidade operacional de cada cliente.

Embora o rastreamento tenha sido a porta de entrada mais conhecida no mercado de gestão de frota, a ZUQ afirma que o sistema avançou para uma lógica mais ampla de controle operacional. Hoje, a plataforma reúne módulos voltados a diferentes frentes do negócio, incluindo telemetria, combustível, revisão, checklist, multas, documentação e jornada de trabalho.

“A ideia é que a empresa consiga ter uma visão completa da operação, e não apenas saber onde o veículo está. O nosso produto é modular. Dependendo do segmento, uma empresa vai ganhar mais com roteirização, outra com vídeo telemetria, outra com jornada ou manutenção. O sistema vai se adaptando à realidade da operação e ao tipo de custo que a empresa quer atacar”, disse.

Algoritmo próprio define rota e reduz custos de logística

Entre os módulos desenvolvidos pela companhia, um dos principais é o roteirizador, que conecta o sistema da empresa às notas fiscais emitidas pelo cliente e, a partir daí, organiza a lógica de entrega com base em viabilidade financeira, ocupação do veículo e melhor trajeto.

“O sistema recebe as notas fiscais, identifica qual caminhão deve levar determinada mercadoria, se é viável financeiramente fazer aquela entrega e qual é a melhor rota para executar aquilo com o menor custo possível”, explicou Dirceu.

Segundo ele, a ferramenta trabalha com algoritmo próprio e considera não apenas o endereço da entrega, mas a combinação entre carga, capacidade do veículo, ocupação e janela de recebimento do cliente. Isso ajuda a reduzir rodagem desnecessária e a evitar retornos de mercadoria por falhas na programação da rota.

“O nosso algoritmo calcula em qual veículo o produto deve ir, se aquele caminhão já está com ocupação ideal e se a melhor rota realmente compensa financeiramente. O objetivo é fazer a operação rodar melhor e mais barata”, afirmou.

Segundo Dirceu, um dos casos mais emblemáticos acompanhados pela empresa foi o de uma operação com mais de 90 veículos pesados, entre carretas e bitrens, que conseguiu cortar mais de R$ 1,2 milhão em gasto com combustível em um ano.

Atacado e distribuição lideram busca por eficiência na logística

Embora a plataforma tenha sido desenhada para atender diferentes perfis de operação, o CEO da ZUQ afirma que alguns segmentos conseguem capturar de forma mais imediata os ganhos da tecnologia. É o caso do atacado e da distribuição, onde a eficiência logística costuma ter impacto direto sobre margem, prazo e capacidade de atendimento.

Segundo Dirceu, esse setor encontra na roteirização e na gestão integrada da frota uma forma de reduzir desperdícios e melhorar a ocupação dos veículos, além de ampliar o controle sobre janelas de entrega e custos operacionais.

“No segmento atacado distribuidor, hoje temos grande presença no Nordeste. É um setor que absorve muito bem a nossa tecnologia porque qualquer ganho de rota, combustível ou tempo de entrega faz diferença direta no resultado”, afirmou.

Ele explica que, em operações com grande volume de entregas, uma rota mal planejada ou um retorno de mercadoria pode multiplicar custos ao longo da semana.

“Muitas vezes a empresa saía com uma quantidade de entrega e voltava com quase metade da mercadoria, porque não conseguiu obedecer a janela, não conseguiu cumprir a rota ou não conseguiu planejar a ocupação do veículo. Quando isso é ajustado, o ganho aparece em várias pontas ao mesmo tempo”, disse. 

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