O meteorologista Luiz Carlos Molion afirmou que não há indícios da formação de um super El Niño e descartou a possibilidade de o fenômeno provocar redução das chuvas em Alagoas até março de 2027. A declaração foi feita durante palestra no 41º Simpósio da Agroindústria da Cana-de-Açúcar de Alagoas, realizado em Maceió entre os dias 7 e 10 de julho.
Segundo Molion, previsões que apontam a formação de um novo super El Niño são alarmistas. “Muita gente diz que esse super El Niño seria pior que o de 1877, quando a temperatura do mar nem sequer era medida. As pessoas estão sendo alarmistas. Não existe esse El Niño”, afirmou durante a apresentação.
O pesquisador também sustentou que o aquecimento observado nas águas do Oceano Pacífico teria sido provocado por um terremoto superficial ocorrido no Japão, e não pelo fenômeno climático tradicional. Conforme sua avaliação, não há expectativa de ocorrência de El Niño até março de 2027 e, nos próximos dez anos, a tendência seria de resfriamento climático. Ainda de acordo com seus estudos, a próxima grande seca nas regiões Norte e Nordeste ocorreria apenas entre 2034 e 2035.
Entretanto, o posicionamento de Molion diverge das informações divulgadas pelos órgãos oficiais de monitoramento climático do Brasil. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em conjunto com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Cemaden e outros órgãos federais, informou que o El Niño foi oficialmente configurado em junho de 2026. Segundo o Painel El Niño 2026-2027, há probabilidade superior a 90% de o fenômeno persistir até o início de 2027, com possibilidade de atingir intensidade muito forte durante a primavera e o verão.
O Inmet explica que o El Niño é caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Pacífico Equatorial e pode alterar os padrões de chuva e temperatura em diversas regiões do Brasil. Para o Norte e parte do Nordeste, o fenômeno costuma estar associado à redução das chuvas, embora seus impactos variem conforme a intensidade do evento e a atuação de outros sistemas meteorológicos.
Diante desse cenário, os órgãos oficiais recomendam o acompanhamento contínuo das atualizações dos boletins meteorológicos e hidrológicos, que subsidiam o planejamento de ações voltadas à agricultura, à gestão de recursos hídricos e à prevenção de desastres naturais




