Muito mais do que um simples local de hospedagem, o Hotel Estrela foi um dos principais símbolos da história de Arapiraca. Durante décadas, suas portas permaneceram abertas para autoridades, comerciantes, viajantes e profissionais liberais, tornando-se um verdadeiro ponto de encontro da sociedade arapiraquense.

Em seus salões, fechavam-se negócios, discutiam-se os rumos da política, compartilhavam-se notícias e, como toda boa cidade do interior, também circulavam as histórias e os comentários que movimentavam o cotidiano. Entre seus hóspedes mais conhecidos estavam o promotor Dr. Pimenta, o delegado Vicente Ramos, o dentista Dr. Guedes, o servidor Pedro Monduga e o famoso viajante “José do Rádio”, personagens que ajudaram a construir parte da memória da cidade.

Conhecido carinhosamente como “Hotel de Dona Rosinha”, o Estrela era considerado o mais elegante de Arapiraca. Além da hospedagem, tornou-se palco dos grandes bailes e eventos sociais que marcaram gerações, reunindo a elite e as famílias tradicionais em momentos inesquecíveis.

Sua importância, porém, ia muito além da vida social. O prédio também abrigou o antigo Paço Municipal e foi sede dos acontecimentos ligados à Emancipação Política de Arapiraca, tornando-se um verdadeiro patrimônio histórico da cidade.

Infelizmente, esse capítulo da memória arapiraquense não resistiu ao avanço urbano. Sem ser desapropriado pelo município ou protegido pelos órgãos de preservação histórica, o Hotel Estrela foi demolido para dar lugar a um edifício de cinco andares. Com sua destruição, Arapiraca perdeu um dos mais importantes testemunhos arquitetônicos de seu passado — um espaço que guardava, entre suas paredes, parte da própria história da cidade.

Hoje, o Hotel Estrela permanece vivo na lembrança daqueles que conheceram sua grandiosidade e na memória coletiva de Arapiraca, como um símbolo de uma época em que a história da cidade era escrita diariamente em seus corredores e salões.

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