Falar da história cultural de Arapiraca é, inevitavelmente, falar de Teófanes Antônio Leite da Silveira, o inesquecível Palhaço Biribinha. Reconhecido como um dos maiores artistas circenses do Brasil, ele construiu uma trajetória marcada pela dedicação à arte, à educação e à preservação da tradição do circo-teatro, tornando-se um dos maiores símbolos da cultura popular alagoana.
Nascido em Jequié, na Bahia, em 5 de fevereiro de 1951, Teófanes cresceu sob a lona do circo, acompanhando o trabalho do pai, o palhaço Biriba, de quem herdou o apelido artístico. Foi ainda criança, aos sete anos de idade, que nasceu o personagem Biribinha, quando, incentivado pelo pai, entrou pela primeira vez no picadeiro. O nervosismo fez o menino chorar diante da plateia, mas, curiosamente, quanto mais chorava, mais o público ria. Ali surgia um artista que, décadas depois, conquistaria reconhecimento nacional e internacional.
Após percorrer diversas regiões do Brasil com o tradicional circo da família, Teófanes escolheu Arapiraca para fincar raízes. Foi na cidade que consolidou sua carreira, reinventou o circo-teatro e ampliou sua atuação como ator, diretor, dramaturgo, educador e mestre das artes circenses. Mais do que um artista, tornou-se um verdadeiro formador de gerações, levando espetáculos às escolas, promovendo oficinas, incentivando novos talentos e aproximando milhares de crianças e jovens do universo da cultura.
Seu talento ultrapassou as fronteiras de Alagoas. Com a Companhia Teatral Turma do Biribinha, apresentou-se em importantes festivais de teatro e circo pelo Brasil, além de realizar turnês internacionais, levando a linguagem do circo-teatro nordestino a diferentes públicos. Suas montagens, que misturam humor, crítica social, poesia e emoção, tornaram-se referência na preservação dessa tradicional forma de expressão artística.
O reconhecimento por sua contribuição veio em 2010, quando foi oficialmente declarado Patrimônio Vivo da Cultura Alagoana, honraria destinada a mestres que preservam e transmitem os saberes da cultura popular. Cinco anos depois, recebeu o Prêmio Governador do Estado de São Paulo para a Cultura, na categoria Circo – Júri Popular, consolidando seu prestígio no cenário artístico brasileiro.
Em Arapiraca, sua influência tornou-se permanente. A cidade abriga a Escola Municipal de Circo Teófanes Silveira, espaço dedicado ao ensino das artes circenses para crianças e adolescentes, perpetuando o legado de quem sempre acreditou que o circo é também uma poderosa ferramenta de educação, inclusão social e transformação de vidas.
Ao longo de mais de seis décadas de carreira, Biribinha mostrou que ser palhaço vai muito além de provocar risos. Em suas próprias palavras, “ser palhaço é ser um denunciador da vida”, filosofia que resume sua arte: divertir, emocionar e, ao mesmo tempo, fazer o público refletir sobre a condição humana.
Hoje, Teófanes Silveira é reconhecido como um dos maiores nomes da cultura popular brasileira. Sua história se confunde com a própria história do circo-teatro em Alagoas e com a identidade cultural de Arapiraca. Mais do que um artista, Biribinha tornou-se um patrimônio afetivo de gerações de alagoanos, deixando um legado que continua inspirando novos artistas e reafirmando a força da cultura como instrumento de educação, cidadania e transformação social.






