O Pró-Manguezais, projeto nacional do qual a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) faz parte como instituição parceira, conquistou o Prêmio Hugo Werneck de Meio Ambiente e Sustentabilidade 2026, um dos mais reconhecidos prêmios voltados à proteção ambiental, na categoria Melhor Exemplo em Biodiversidade. A premiação aconteceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, na última segunda-feira (8).
Em Alagoas, a iniciativa é coordenada pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo Ministério Público do Estado de Alagoas (MP/AL) e conta com a participação da Ufal, representada pelos professores Alexandre Oliveira, do Campus de Engenharias e Ciências Agrárias (Ceca); Simone Affonso da Silva, do Instituto de Geografia, Desenvolvimento e Meio Ambiente (IGDEMA/Ufal); e Melissa Landell, do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS/Ufal), além de outras instituições do estado.
A iniciativa tem atuação voltada para a preservação, recuperação e estudo dos manguezais alagoanos, um dos ecossistemas fundamentais para a biodiversidade. Além disso, o projeto desenvolve ações voltadas à educação ambiental, à cartografia social e ao fortalecimento da participação das comunidades locais na defesa desses territórios.
O professor Alexandre Oliveira explicou que a Ufal integrou o projeto para atuar na parte técnica e destacou o papel indispensável da universidade para que a iniciativa seja executada em toda a sua amplitude. “Como centro de pesquisa, educação e divulgação científica, é fundamental que participe de iniciativas como essa. Então, somos nós que executamos grande parte desse trabalho, sempre em conjunto com os demais parceiros, coordenando muitas das ações de campo do Pró-Manguezais”, ressaltou.
Para a professora Melissa, a participação da Ufal destaca sua inserção em grupos multidisciplinares e multinacionais. “É muito importante do ponto de vista tanto da geração de conhecimento científico quanto da execução de ações práticas de restauração e preservação dos manguezais alagoanos, auxiliando no combate às mudanças climáticas e no desenvolvimento sustentável da região”, disse.
Por ser coordenador do Laboratório de Pesquisas em Estuários e Manguezais, Alexandre explicou que atua, em conjunto com a professora Melissa, diretamente na restauração ecológica. “Vamos a campo, identificamos as áreas degradadas e propomos medidas de restauração, além da produção de mudas de mangue, juntamente com a professora Melissa, que também trabalha com a produção de mudas e estudos de microrganismos no manguezal”, destacou.
Já a professora Simone integra a equipe do projeto na área de cartografia social. A docente foi convidada a participar da ação devido ao trabalho desenvolvido na universidade por meio do grupo de pesquisa e extensão Educação e Planejamento Participativo em Áreas de Proteção Ambiental de Alagoas (Educapa). No projeto, ela foi responsável por parte do contato com a população.
“Além do conhecimento técnico da universidade, da atuação dos órgãos ambientais e do envolvimento dos municípios, era necessário ouvir diretamente as comunidades que vivem nos territórios dos manguezais, especialmente pescadores, marisqueiras e outras populações tradicionais. Fui convidada para desenvolver essa dimensão da participação social por meio da cartografia social e do planejamento participativo, que constituem os pilares do projeto Educapa”, ressaltou.
Sobre a conquista do prêmio, ela destacou que o reconhecimento fortalece o projeto, amplia sua visibilidade e valoriza ainda mais as ações desenvolvidas pela Ufal. “Espero que esse reconhecimento contribua para consolidar ainda mais a universidade, fortalecendo sua imagem, sua capacidade de captar recursos e seu papel social. A ciência e as universidades passaram por períodos de questionamento e desvalorização, e esse tipo de reconhecimento é extremamente importante”, finalizou.
Sobre o prêmio
O Prêmio Hugo Werneck de Meio Ambiente & Sustentabilidade foi criado em 2010 em homenagem ao ambientalista mineiro Hugo Werneck (1919-2008). Em sua 16ª. Edição, o Prêmio Hugo Werneck se tornou uma referência nacional, de Minas para o mundo, como o “Oscar da Ecologia” brasileira.
Acumula mais de mil inscrições e indicações recebidas, e mais de 186 vencedores e homenageados até hoje. Parte integrante do calendário institucional, empresarial e político do país, a premiação visa reconhecer e divulgar os melhores projetos, cases e ações. Bem como destacar as empresas, governos, pessoas, cidadãos, ONGs, instituições, políticos e personalidades que mais se dedicam à causa universal em defesa do planeta e de sua humanidade, vide a realidade das mudanças climáticas.





