Os trabalhadores da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) são contra a privatização da empresa e a venda do sistema Catolé Cardoso para a Braskem. A categoria debate as duas pautas numa assembleia geral deliberativa, marcada para essa quinta-feira (24), no auditório do Sindicato dos Urbanitários, a partir das 18 horas.

A reunião tem como objetivo traçar estratégias em defesa da Casal como empresa pública e contra a sua privatização. A informação foi compartilhada esta semana pelo site oficial do Sindicato dos Urbanitários.

De acordo com a assessoria de comunicação do Sindicato, “está em andamento, no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por encomenda do governo do Estado de Alagoas, um projeto para entregar ao capital privado o restante dos serviços de abastecimento d’água que ainda permanecem sob o controle público, através da venda da Casal”.

O Sindicato dos Urbanitários também encaminhou ofício para a Casal, solicitando esclarecimentos sobre a venda do sistema Catolé Cardoso à Braskem, por R$108,9 milhões. Para a entidade sindical, os termos do acordo, firmado entre a Companhia e a Braskem, precisam ser melhor explicados, embora a transferência do manancial para a mineradora tenha sido homologada judicialmente.

O Sindicato informou ainda que tem alertado para as graves mazelas desse acordo, com ênfase na transferência da posse de estruturas essenciais do sistema de abastecimento de água da capital alagoana para a empresa privada e, alerta, para os prejuízos iminentes ao interesse público.

“O momento é de grande gravidade para os trabalhadores e trabalhadoras da CASAL, bem como para a população alagoana, que já vem sofrendo com a privatização da água no Estado”, comentou a diretoria do Sindicato. “A luta é pela garantia dos empregos dos trabalhadores e trabalhadoras, devidamente concursados, que não vão pagar pelo descaso das autoridades”, acrescentou.

A diretoria dos Urbanitários disse ainda que “a categoria está mobilizada e irá lutar até o fim para que todos tenham acesso à água, mesmo quem não possa pagar, pois água é um direito e indispensável à vida”.

OUTRO LADO

Embora a Casal ainda não tenha respondido ao questionamento do Sindicato dos Urbanitários, em nota, a Companhia se posicionou sobre a transação.

“A Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) informa que os recursos obtidos por meio da indenização resultante do acordo extrajudicial firmado com a Braskem serão utilizados na implantação de um novo sistema de abastecimento de água, que substituirá o atual Sistema Cardoso, em Maceió.

A Companhia está em tratativas com o Governo do Estado de Alagoas para definir a melhor alternativa técnica e operacional para a implantação dos novos ativos, com o objetivo de garantir mais segurança, eficiência e regularidade no abastecimento à população”.

A reportagem da Tribuna Independente procurou ouvir também o Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) sobre a licença ambiental do sistema Catolé Cardoso à Braskem, mas o órgão ambiental não deu retorno.

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